terça-feira, 1 de julho de 2008

Camaleão passa a maior parte da vida dentro do ovo, afirmam biólogos

Vídeo: Freedom Chameleon (Original Musical Comedy)


Camaleão passa a maior parte da vida dentro do ovo, afirmam biólogos
Espécie de Madagascar demora nove meses para eclodir e vive só mais cinco meses.
Ciclo de vida parece o de um inseto; cientistas ainda não sabem explicar fenômeno.

Os bebês do camaleão-de-labord (Furcifer labordi) aparentemente se sentem tão seguros dentro do ovo que passam a maior parte da vida dentro dele, e não fora. Parece piada, mas é a pura verdade, revela um grupo internacional de pesquisadores. O réptil, que vive em Madagascar, no leste da África, é um caso único entre os vertebrados terrestres: seu ciclo de vida, por razões ainda obscuras, lembra o de um inseto.

Os bebês do camaleão-de-labord (Furcifer labordi) aparentemente se sentem tão seguros dentro do ovo que passam a maior parte da vida dentro dele, e não fora. Parece piada, mas é a pura verdade, revela um grupo internacional de pesquisadores. O réptil, que vive em Madagascar, no leste da África, é um caso único entre os vertebrados terrestres: seu ciclo de vida, por razões ainda obscuras, lembra o de um inseto.

Caso essa descrição não tenha sido suficiente para deixar você espantado, saiba que a esquisitice fica pior. Segundo Kristopher Karsten, da Universidade do Estado de Oklahoma (EUA), que estudou o bicho junto com colegas americanos e de Madagascar, os adultos e os filhotes de camaleão-de-labord nunca se encontram cara a cara. Ao sair do ovo, os bebês crescem velozmente, acasalam, põem seus próprios ovinhos -- e caem mortos meses antes do nascimento dos filhos.

Karsten e seus colegas elucidaram o bizarro ciclo de vida do réptil após cinco anos de estudos de campo no sudoeste de Madagascar, uma região árida em que também vivem outras espécies do mesmo gênero de camaleões, o Furcifer. Eles mediram o crescimento dos bichinhos desde sua saída do ovo e viram que, após quatro ou cinco meses de vida, depois que os ninhos da espécie estavam prontos, os adultos, envelhecidos e debilitados, simplesmente "caíam de maduros" do alto das árvores.

Os cientistas levantam uma série de hipóteses para tentar explicar esse estranho "revezamento de gerações" entre filhotes e adultos. Uma das possibilidades tem a ver com o próprio clima da região: por ser muito árido e imprevisível, com uma estação seca longa, a proteção do ovo seria usada para sobreviver aos meses de vacas magras. É que, por um tempo, o embrião fica "pausado", sem se desenvolver ativamente, de forma a sincronizar o nascimento com a estação das chuvas na ilha africana.

Outra possibilidade é que a espécie tenha desenvolvido um sistema hormonal excessivamente masculinizado, por causa da competição necessária para obter parceiros e se reproduzir rapidamente no habitat hostil. De fato, relatam Karsten e companhia, os animais são muito agressivos entre si. Acontece que o excesso de hormônios masculinos está justamente associado à mortalidade aumentada e precoce. A equipe, no entanto, ainda não tem evidências diretas de que esse é o caso mesmo.

A pesquisa está na edição desta semana da revista científica americana "PNAS".


Reinaldo José Lopes, do G1, em São Paulo

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