sábado, 13 de setembro de 2008

Cães bisbilhoteiros: cerca virtual vira parceira dos donos

Cerca virtual vira parceira dos donos de cães bisbilhoteiros

Aparelho emite ruído que incomoda animal, mas não é ouvido pelo dono. 
Para biólogo, aparelho não deve ser a única forma de adestramento.


                 Cerca virtual faz com que cachorro evite áreas da                     casa demarcadas, como a piscina ou o jardim inteiro.                     Coleira funciona com receptor que                     "denuncia" quando o animal chega perto de                     área proibida  (Foto: Divulgação)
Cerca virtual faz com que cachorro evite áreas da casa demarcadas, como a piscina ou o jardim inteiro. Coleira 
funciona com receptor que "denuncia" quando o animal chega perto de área proibida  (Foto: Divulgação)


Donos de cães curiosos descobriram a cerca virtual como uma forma de evitar que o bicho de estimação circule por áreas proibidas da casa. O equipamento não tem nada a ver com um cercado, ele funciona com fios instalados no chão ou enterrados e vem com uma coleira que se comunica com a cerca. O aparelho emite um som incômodo para o cachorro caso ele se atreva a entrar na área demarcada com os fios, que pode ser um quarto, a cozinha, a piscina ou o jardim inteiro, por exemplo. 

Assim, o animal fica sem saber de onde vem o barulho, só sabe que o ruído vem sempre que ele transita por determinado local. “O cachorro escuta muito mais detalhes que a gente. Dessa forma, o adestramento é feito pela associação do som com a repetição”, esclarece o veterinário Mário Marcondes, diretor do hospital veterinário Sena Madureira. 

Foi na tentativa de evitar que o labrador Dodi, de 1 ano, entrasse na piscina de casa que a estudante Elisabeth Brito, de 24 anos, resolveu testar a eficácia de uma cerca virtual. “Era um problema porque ele brincava na grama e entrava na piscina. Depois, voltava para a grama molhado, ficava mais sujo ainda e pulava na piscina”, relembra. 

 

Elisabeth espalhou os fios ao redor da piscina e colocou a coleira em Dodi. “Não deu certo, ele continuou pulando”. Só depois de ler o manual do equipamento, a estudante percebeu que não era tão simples assim, que ela primeiro precisava ensinar o animal a não entrar na água. “Hoje, quando a gente entra na piscina, ele fica do lado de fora. Dá até dó, mas não tinha como dar conta da limpeza porque, se deixasse, ele entrava na piscina todo dia”. 


Mas não é com todo cachorro que a cerca virtual funciona. Segundo o biólogo Ricardo Mazzaro, consultor em comportamento animal, é comum alguns cães ignorarem o comando sonoro. “Se o cachorro percebe que na área proibida tem algo que realmente valha a pena, ele vai seguir em frente”, esclarece. Nesse caso, o dono pode sair no prejuízo porque o equipamento é vendido, em média, por R$ 450. 

“Tem cães que testam uma situação o tempo inteiro, eles podem ir e voltar, por exemplo, se percebem que não acontece nada além do som, eles podem começar a ignorar”, complementa o biólogo. 

Por isso, algumas dessas cercas associam o ruído com um leve choque. Cabe ao dono decidir se quer recorrer a esse artifício, mesmo com o fabricante assegurando que o choquinho não vai fazer mal. 

Mazzaro é a favor do adestramento com recompensa, como a entrega de um biscoitinho sempre que o animal for obediente. “A cerca é uma ajuda no treinamento, ela deve atuar como coadjuvante quando o dono não está por perto, por exemplo”, sugere o biólogo que ainda faz uma recomendação: “Como a cerca trabalha com o ruído, é sempre bom levar o animal ao veterinário para ver como anda a audição dele antes de pensar em usar uma”. 

 

 

Adestrador portátil


Alguns donos que acham a cerca virtual um exagero – inclusive no preço – descobriram um aparelhinho menor que um controle remoto que também emite um ruído audível apenas para o bicho e que vira braço-direito para o adestramento. O preço continua um pouco salgado, aproximadamente R$ 200, mas chega à metade do preço da cerca. 

O funcionamento é simples: se o animal está fazendo algo errado, o dono aperta um botão, o bicho ouve o ruído e fica tão incomodado pelo estímulo que procura fugir dele ou parar o que está fazendo. A vantagem para o proprietário é a portabilidade, pois o dispositivo pode ser levado para qualquer lugar. Mas há a desvantagem de só existir condicionamento com a participação do dono. Diferente da cerca, que repreende o animal mesmo que nao tenha ninguém em casa.

O administrador de empresas Ademar Granja filho, de 53 anos, descobriu o tal aparelhinho depois que contratou um adestrador para educar o seu pit bull Mike, de 6 anos. “Se ele está latindo para um cachorro na rua, por exemplo, eu aciono e dispositivo e ele sabe que está sendo repreendido”, descreve o dono. “Assim consegui diminui em 90% a desobediência e a agressividade dele”, comemora. 

Hoje, Granja Filho só vai para a rua com o dispositivo em mãos. “Se estou passeando com ele, posso acionar o dispositivo para nenhum cachorro se aproximar também”, relata. 

Esse aparelhinho ainda pouco conhecido no Brasil é muito usado por carteiros nos Estados Unidos e funciona como um anjo da guarda. Sim, cachorro é tudo igual e faz cara feia e muito barulho para quem entrega cartas e jornal, seja aqui no país, seja no exterior.


Fonte: globo.com

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