terça-feira, 24 de março de 2009

Comportamento animal: Seu cãozinho ainda tem jeito


O nome dela é Mel. Mas o comportamento dessa yorkshire de quatro anos não era nada doce. Agressiva, ela não deixava ninguém se aproximar de sua dona, a funcionária pública Mariene Santos, 41 anos. Sobrou até para a empregada antiga da família, que pediu demissão. "Ela avançava até mesmo nos meus dois filhos", relata a dona, hoje, mais tranquila, com uma Mel comportada, dócil e que não estranhou a proximidade do repórter neste bate-papo. 

A responsável por essa paz no lar dos Santos foi a veterinária e especialista em comportamento animal Melissa Ferreira, de Vitória. Por meio de sessões de adestramento, que duraram um mês, a cachorrinha se transformou. Aliás, adestramento já se transformou numa tendência para quem tem bichinho de estimação. A televisão descobriu no assunto um grande filão (veja quadro). Não é mais preocupação exclusiva para quem quer contar com cães de guarda, por exemplo. As sessões de educação animal servem para eliminar comportamentos inconvenientes como latidos a toda hora, agressividade excessiva e os transtornos causados por aquele bichinho que adora marcar seu território, seja fazendo xixi no lugar errado ou mesmo com dentadas nos sapatos, no sofá, e nas cortinas da casa.

"Toda raça é capaz de ser educada. Não há limites quanto a isso", afirma a veterinária. Ela explica que, na mentalidade dos cães, não há diferenciação entre humanos e cachorros. "Ele acha que está numa grande matilha e, às vezes, desenvolve comportamentos de seu próprio instinto para se destacar no grupo. E muitas dessas ações são inadequadas para um bom convívio", descreve.

Terapia 
No caso de Mel, Melissa explica que, para a cachorrinha, quem mandava na casa era ela. A dona era encarada como seu objeto de posse e ai de quem se aproximasse de Mariene. "Tivemos que reeducá-la para que ela percebesse que quem dava as ordens era Mariene", descreve.

E nessa técnica não é só o cachorro que entra na dança. Muitas vezes, a solução tem que começar com uma mudança de postura do dono. "No caso da Mel, Mariene adotou uma postura firme e foi orientada a lhe dar recompensas (petiscos) cada vez que uma pessoa se aproximasse. As pessoas do cotidiano da casa também participaram do processo", detalha. A veterinária alerta que a reeducação não é restrita ao consultório. O dono deve ter essas dicas como rotina. Assim, o seu pet não vai ser motivo de transtorno.

Na telinha 
Os dilemas com cãezinhos rendem até programas na TV 

Doutor Pet (Domingo Espetacular, TV Record, domingo, às 18h): o veterinário e adestrador Alexandre Rossi é uma espécie de "Supernanny" para cachorros. Ele vai até a casa do cão problemático, faz uma varredura do comportamento do animal e da rotina da casa e aconselha a alguns ajustes. Geralmente, o dono é que tem que alterar os hábitos para melhorar o comportamento dos bichinhos 

O Encantador de Cães (Animal Planet, domingo, às 21h; reprises, segunda, às 21h e quarta, às 22h): esta série acompanha o especialista em comportamento animal, César Millan, e mostra como ele trabalha com os animais e seus donos. Ele aborda vários tipos de problemas, de latidos excessivos até agressividade constante. Millan descreve seu trabalho como "reabilitação de cães" e ensina os donos a procurar um equilíbrio no relacionamento com seus animais

Meu Cão é Tão Gordo Quanto Eu (GNT, terças, às 21h; reprises: quintas, às 18h30 e às 1h30; sextas, às 13h30 e aos domingos, às 7h30): oito pares de cachorros e donos fora do peso participam de um intenso programa de exercícios físicos e dietas durante três meses. O objetivo dessa competição é recuperar a boa aparência e ter mais qualidade de vida. Eles ficarão internados num spa durante 12 semanas

Ou Eu ou O Cachorro (GNT, terças, às 21h30; reprises, quarta, às 18h30 e à 1h30; quinta, às 13h30): a adestradora Victoria Stilwell ensina como recuperar cachorros desobedientes, agressivos, hiperativos ou com qualquer outro problema de comportamento 

Dicas importantes 

Muitas vezes, ao fazer algo errado, o cão está apenas querendo chamar a atenção. Cair nessa "armadilha" (por exemplo, correr atrás dele para retirar um objeto de sua boca) reforçará esse comportamento

Usar violência física como punição é um erro grave que levará o cão a desenvolver distúrbios, como medo excessivo e/ou agressividade

Elogie seu cão. Ele vai andar na linha para receber carinhos

Mostre que você é o líder, andando sempre à frente dele e sendo sempre o primeiro a entrar em casa ou passar por portas e portões 

Se ele pedir algo (como comida, petisco, passeio) sempre peça para ele executar algum comando anes. Assim ficará claro que é ele que está obedecendo, e não você 
Fonte: www.caocidadao.com.br,do Dr. Pet 


Marcelo Pereira /gazetaonline.globo.com

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