quinta-feira, 12 de março de 2009

Herói: um cachorro da raça pit-bull salvou a vida de um mecânico de 22 anos


Contradizendo a fama de vilão, um cachorro da raça pit-bull salvou a vida de um mecânico de 22 anos, agredido e perfurado por canivete por jovens durante a madrugada de ontem, na Praia da Costa, Vila Velha. O pit-bull, de propriedade de um morador, foi lançado contra os agressores, que fugiram.

A briga foi feia, e o mecânico teve de ser levado para o Hospital Antônio Bezerra de Farias, também em Vila Velha. O próprio dono do pit-bull foi quem socorreu o ferido, mas ele não foi identificado. O cachorro também teria ficado machucado.

O mecânico estava em um Escort acompanhado de um amigo e duas amigas. Eram 2h30, e o grupo havia saído de uma festa country realizada em uma boate na Praia da Costa.

Segundo registro da Polícia Militar, o mecânico e seu amigo teriam discutido com os agressores na saída da festa. O motivo seria uma disputa por mulheres, mas a polícia ainda não concluiu qual teria sido, de fato, a causa da briga.

Cerco
A vítima foi interceptada no cruzamento entre as ruas Desembargador Augusto Botelho e Castelo Branco por uma picape azul, de onde saíram dois dos agressores. Segundo testemunhas, eles xingavam muito.

Momentos depois, outra picape parou com outros dois acusados. Foi desse veículo que saiu o jovem que estava com o canivete. As amigas da vítima choravam e pediam para que largassem o mecânico.

Uma moradora – que preferiu não se identificar – disse que o grupo discutiu por cerca de meia hora. Contudo bastou o pit-bull entrar em cena para acabar com a confusão. O cão foi solto e fez com que os agressores fugissem, impedindo que o mecânico fosse ainda mais ferido.

"Foi horrível. Parecia cena que vemos na televisão. Pitboys surrando uma pessoa. Foi uma covardia enorme, que não tem tamanho nem explicação", lembrou a testemunha, apavorada.

Câmeras
O crime deve ter sido registrado por uma das câmeras de vigilância dos edifícios que ficam na região do crime. No entanto, até a manhã de ontem, a polícia não havia solicitado as imagens.

Um dos proprietários da boate onde os envolvidos na confusão disseram estar antes do crime disse que o movimento foi tranquilo durante toda a noite e a madrugada.

Segundo o empresário, nenhum incidente ou nenhuma discussão foi registrado dentro da casa noturna ou nas proximidades do estabelecimento.

Até a tarde de ontem, a Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Vila Velha não havia recebido a ocorrência com as informações sobre o caso nem as imagens do circuito de TV do prédio.

Testemunha
"Eram quatro agressores"
Jovem de 25 anos,
moradora da Praia da Costa

Ouvi os gritos de uma das meninas que acompanhavam os rapazes que estavam sendo agredidos. Fui para a janela e vi que muitos moradores estavam nas suas sacadas. Uma das amigas do mecânico gritava: ‘Pelo amor de Deus, pare com isso!’. Eram quatro agressores, em dois carros. Eles estavam vestidos de caubóis. A vítima estava com um amigo e duas meninas. Os agressores xingavam muito. Acho que foi o cachorro que acabou com a briga. O animal já estava lá no local na hora da confusão. Depois do ataque, o amigo da vítima tirou a camisa para estancar o sangramento. Ele tentou levar a vítima até a farmácia, mas estava fechada. A vítima só ficava quieta. E o amigo dele xingava bastante."

Tempo
"O bate-boca durou meia hora, mas a luta foi rápida"
Testemunha da agressão

Dono de cão: "Foi Deus quem me colocou lá"
"Esse rapaz só esperou os PMs chegarem para ir embora. Antes de ir, ele me disse: 'Foi Deus quem me colocou lá para salvar a vida do seu filho', contou, sobre o dono do pit-bull, o pai do do mecânico agredido na saída da boate.

O gerente de loja de 49 anos afirmou que não entendia o motivo de tanta violência contra seu filho. Ressaltando as qualidades do rapaz, ele contou que deseja reencontrar o dono do cachorro que salvou o mecânico e também ver os agressores pagando pelo crime que cometeram.

"Meu filho é trabalhador, nunca fez mal a ninguém, nunca foi de brigar na rua. Só gostava de baladas, de festas. Sempre o alertei sobre os perigos da rua. Infelizmente, hoje não podemos viver em paz. Ontem (terça-feira), antes dele sair, ainda disse para ele tomar cuidado. Agora, vamos ver o que vai acontecer. No próximo dia 17, ele faria uma prova de supletivo, que deve ser adiada", ressaltou.

O gerente de vendas lembrou, ainda, que o dono do cachorro estava muito nervoso no hospital. "Ele dizia que nunca havia visto tanta crueldade", contou.

Denuncie
181 telefone
Quem tiver informações sobre os agressores pode ligar para o Disque-Denúncia. Não é preciso se identificar.

Fonte: Jornal "A Gazeta"

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