domingo, 14 de fevereiro de 2010

Veterinários alertam: bichos de estimação sofrem como fumantes passivos

Veterinário examina papagaio e compara: é como se ele tivesse fumado, durante a vida toda, três cigarros por dia.

Na casa de Leide, duas pessoas fumam. O papagaio Frederico vive há 17 anos entre elas. “Eu comecei a observar que ele estava espirrando muito e logo já surgiu esse carocinho e sai uma secreçãozinha, tipo como se você estivesse resfriada, aquela coriza branca”, disse a vendedora Leide Teles.

O veterinário comparou: é como se o papagaio tivesse fumado, durante a vida toda, três cigarros por dia. “Os mesmos sintomas e as mesmas agressões que a fumaça pode provocar na gente também provoca no animal”, disse o veterinário Cláudio Nakayama.

Por isso, bichinhos de estimação formam, quem diria, um surpreendente grupo de fumantes passivos. No Hospital Veterinário de Uberaba, a história de um cachorro chamou atenção.

“O cachorrinho era muito apegado ao dono, ficava no colo, nos pés, e era aquele fumante que realmente está fumando a todo momento. Então o cão era um fumante passivo exemplar”, disse a veterinária Patrícia Brettas.

O cachorrinho morreu de câncer no pulmão. Na casa de dona Leide, a vida continua. O papagaio deve passar por cirurgia para a retirada dos nódulos. Por enquanto, é tratado com remédios. E já mudou a rotina da família.

“A gente está tomando as precauções, evitando de fumar na área quando ele tá na área, não fuma lá, fuma em outro lugar. E ele já teve uma melhora muito boa.Parou de espirrar. A gente tá vendo que já teve sucesso, né?”, contou Leide.(Fonte: Globo.com)

Veterinários alertam para males do cigarro a animais
Todo mundo sabe que fumar faz mal. O que muitos desconhecem é que a saúde dos bichos de estimação também pode ser afetada no convívio com fumantes. Animais expostos à nicotina e ao alcatrão, substâncias presentes na fumaça do cigarro, podem desenvolver problemas respiratórios como bronquite alérgica, dermatológicos e até câncer. Já no caso de cães ou gatos que têm alergia a odores, o quadro clínico pode se agravar.

"Eles podem desenvolver coceira, lesão da córnea, espirros e vermelhidão na pele", alerta a veterinária Tatiana França.

A especialista lamenta a falta de conscientização de muitos proprietários, que não zelam pela saúde de seus bichos. "Certa vez, atendi um cão que apresentava prurido (coceiras) intenso nos olhos, vermelhidão e aumento de produção lacrimal. Depois da terceira consulta, que fiz em domicílio, consegui fechar o diagnóstico, pois observei que o dono fumava constantemente dentro de casa, com pouca circulação de ar no ambiente", relata Tatiana. "Disse que o problema do animal poderia ser o cigarro. Mas a pessoa não concordou e nem se esforçou para evitar tudo isso", conta.

Raças de companhia como maltês, lhasa apso e yorkshire, aves e gatos podem apresentar maior sensibilidade à fumaça. "Esses animais, justamente por serem mais próximos de seus donos, ficam mais expostos aos perigos do fumo", diz Tatiana. No caso das aves, elas podem ter queda de penas, automutilação por estresse e diminuição do canto.

A assessora de imprensa Cláudia Bastos, dona do maltês Spy, 5 anos, fuma, em média, um maço de cigarros por dia. Consciente dos riscos do seu vício, ela diz que procura não incomodar pessoas que estão no mesmo ambiente que ela e nem o seu cão. "Vou para a varanda e mantenho a casa arejada, ligando o ventilador", conta. Ela diz ter planos de parar de fumar. "Fumo há 33 anos e sei que preciso ter força de vontade. Mas tenho certeza de que vou conseguir", diz, otimista.

O veterinário Andrey Oquim reforça a importância de os donos fumantes manterem o vício bem longe de seus animais. "O bicho acaba se acostumando ao cheiro da nicotina, mas ele não sabe o que está inalando. Por isso, o melhor é respeitá-lo, evitando fumar junto dele ou no mesmo ambiente no qual ele se encontra", finaliza. (Fonte: Terra)

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