sexta-feira, 12 de março de 2010

Quênia soltará zebras e gnus para alimentar leões selvagens

Foto: BBC Brasil
Autoridades vão distribuir zebras aos leões para evitar que os felinos ataquem o gado de moradores devido à escassez de comida

O Serviço de Vida Selvagem do governo do Quênia iniciou uma operação de captura e transporte de 7 mil zebras e gnus (espécie de antílope africano) para alimentar leões e hienas do Parque Nacional Amboseli, no sul do país. De acordo com as autoridades quenianas, a seca mais forte dos últimos 26 anos devastou o ecossistema do parque em 2009 e fez com que o número de zebras na região diminuísse.

As autoridades realizaram um censo dos animais do parque em outubro de 2009 que mostrou que havia apenas 3.023 gnus e 2.467 zebras na região. Estes números representam uma grande queda na população, já que o censo realizado em 2007 indicou que havia 12.411 gnus e 6.978 zebras no parque.

Como as zebras são as presas preferidas de leões e hienas, estes animais começaram a atacar o gado das comunidades em volta do parque. No entanto, a seca já tinha levado à diminuição em até 80% dos rebanhos da região. Devido aos ataques dos leões e hienas, os pecuaristas também têm reagido com mais frequência contra os animais selvagens para proteger o gado.

Custos e fases
A operação de captura e transporte das zebras e gnus para o parque tem um custo estimado de US$ 1,35 milhão e está dividida em fases. A primeira fase, que visa a captura e transporte de mil zebras, deve ocorrer até o dia 28 deste mês. As outras fases vão incluir os gnus e devem ocorrer entre março e junho.

A equipe de captura conta com 26 integrantes, incluindo um piloto de helicóptero, técnicos, motoristas, autoridades de captura e guardas-florestais. O transporte dos animais é feito pelas equipes aéreas e terrestres.

A equipe do helicóptero identifica os grupos de animais e os leva para um cercado camuflado, em formato de funil. A equipe terrestre então conduz os animais na direção do caminhão que vai transportá-los. De acordo com o cientista do Serviço de Vida Selvagem do Quênia Charles Musyoki, a operação visa restabelecer o equilíbrio ente os animais do parque e, ao mesmo tempo, reduzir o número de casos de conflito entre comunidades que moram na região e os animais que saem do parque para se alimentar do gado.

O Parque Nacional Amboseli e a região que o cerca é um dos polos turísticos mais famosos do Quênia. E a morte de leões por moradores da região pode prejudicar os esforços do governo para conservação e de estímulo do turismo. O conflito entre os animais e os humanos moradores da região é uma das causas principais do rápido declínio da população de leões no Quênia.

BBC Brasil

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