terça-feira, 20 de abril de 2010

Os temidos 'big five' - leão, búfalo, elefante, leopardo e rinoceronte -, os verdadeiros reis da savana

Fernanda Fava, NAIRÓBI

Lentes. Animais dão o ar da graça durante o sáfari, para alegria de quem adora fotografias.

O guia Laurence Kiarie ganha a vida dirigindo uma van pelas largas planícies da Reserva Nacional de Maasai Mara, no oeste do Quênia. Percorre centenas de quilômetros por semana no meio da selva, em estradas de barro, com a missão de localizar leões, elefantes, girafas e zebras, para o total fascínio dos turistas. Visitantes que vão até o país do leste africano dispostos a participar de um dos melhores safáris do mundo - e a fazer, quase sempre, as mesmas perguntas.

Mas se engana quem pensa que Kiarie fica cansado de repetir as informações ou encara com ar blasé a manada de elefantes que cruza seu caminho. É mais fácil ver o guia correndo para pegar sua pequena câmera fotográfica e clicar os bichos. Ou registrar momentos como a exata hora em que a leoa amamenta seus filhotes embaixo de um arbusto. E seus olhos brilham como os de um menino.

Você provavelmente vai chegar ao país pela capital, Nairóbi, uma cidade grande, com 3 milhões de habitantes, arranha-céus, centros comerciais e mansões. Aparato que pouco tem a ver com a mistura de sons, aromas, cores e sabores que pipocam no imaginário do viajante que vai à África.

Só que tais curiosidades não vão deixá-lo na dúvida nem por um minuto de que o melhor do Quênia é embarcar num safári, conhecer a savana e visitar suas tribos. E permitir-se enxergar além dos estereótipos. A depender do parque que você escolher, da época do ano, da hospedagem e da companhia, você pode ir do rústico ao luxuoso, do sossego ao agito e terá uma experiência única, mesmo que compartilhada com milhares de turistas todos os anos.         

A Reserva Nacional de Maasai Mara pode não ser a maior - o título pertence ao Parque Tsavo -, mas é merecidamente a mais conhecida dos turistas, que a colocam no topo da lista das atrações do Quênia. Fica colada à fronteira da Tanzânia, a 220 quilômetros de Nairóbi, numa viagem de quase cinco horas, atravessando de carro as maravilhas do Vale Rift.

Já na primeira hora neste caminho ladeado por acácias, árvore típica da savana, você tem seu primeiro contato com a cultura maasai, na Vila Narok. A tribo é uma das mais representativas do país e se destaca especialmente por manter suas tradições.

De lá o grupo segue por estrada de chão até cruzar um dos portais do parque. Quase não há vestígio de civilização neste trecho - a não ser pela companhia dos meninos maasais, que acenam para os turistas sem deixar de cuidar das vacas e ovelhas que conduzem à margem da estrada.          
 
 

Na selva. Espíritos aventureiros vão adorar acampamentos como o Manyatta Camp: tendas sem energia elétrica e comida preparada na fogueira. 

Big five. O Maasai Mara é o hábitat dos big five, os cinco grandes mamíferos da selva: leão, búfalo, elefante, leopardo e rinoceronte. Os temidos (e cobiçados) animais dividem o território de 1.500 quilômetros quadrados do parque com gazelas, antílopes, impalas, girafas e zebras, além de macacos, javalis e muitas aves, do avestruz ao falcão. São incríveis 95 espécies de mamíferos, anfíbios e répteis, além de 400 de pássaros. Quantidade que surpreende.

Todos os anos, de julho a outubro, essa população cresce exponencialmente. Trata-se da grande migração, quando 1,3 milhão de animais deixam o Parque Serengeti, na Tanzânia, rumo ao Quênia, esperando grama fresca e água abundante. Um dos momentos mais esperados por visitantes do mundo todo.

O ideal é ficar pelo menos dois dias e uma noite na reserva. Mas há visitantes que escolhem pacotes de até dez dias, que garantem tempo de sobra para aproveitar a natureza. Afinal, o silêncio é reconfortante e o horizonte, feito de verde até onde a vista alcança: é a chance de desligar o celular, esquecer a internet e dar um tempo de tudo.

Mas não espere moleza na rotina. Os safáris costumam começar cedo, com game drives que partem para a selva às 5h30, antes mesmo do café da manhã. E, de fato, é o melhor horário do dia para ver grande parte dos animais, principalmente gazelas, zebras, antílopes, girafas e elefantes, que se alimentam em bandos. Sem contar que a luz favorece as fotografias.

Ao fim do primeiro dia, gazelas e impalas vão parecer velhos conhecidos. Muitos elefantes e girafas terão cruzado seu caminho, mas cada encontro vale como o primeiro. Leões, guepardos e leopardos também parecerão tão familiares quanto gatinhos. Com alguma sorte, é possível vê-los caçando - o ritual leva horas e, quando o predador mata uma presa, pode passar mais de três dias sem comer.

Com um game drive um pouco mais longo, os turistas conseguem ir até as margens do Rio Mara, a cerca de 100 quilômetros do lado mais oriental da reserva. É onde são avistados hipopótamos e crocodilos.

Durante as expedições, os guias se comunicam por rádio, o que permite que eles compartilhem com os colegas a localização dos animais. Por isso, o viajante praticamente não corre o risco de ficar sem ver algum dos big five. Além do mais, eles já estão acostumados a saber em que áreas é mais provável encontrar um leão ou um elefante.  
São motoristas habilidosos como nosso Laurence Kiarie, que conseguem se guiar pelas marcas do relevo ou da vegetação. Seja numa van ou num Land Rover, prepare-se para fazer um verdadeiro rali na selva e, eventualmente, subir a barra da calça, tirar os tênis e se jogar na lama para empurrar um jipe atolado no meio do caminho. 

Fonte: www.estadao.com.br/

Um comentário:

  1. podes falar mais dos big five, tipo lendas e coisas do género, parece giro.

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