terça-feira, 17 de agosto de 2010

Animais cometem suicídio?

É clássica a crença de que alguns animais cometem suicídio. Muitas pessoas pensam que os escorpiões, quando encurralados pelo fogo, picam a si mesmos para abreviar o sofrimento e acabar com a própria vida. Outros acham que os lemingues se lançam ao mar num cinematográfico suicídio para abrir espaço para outras populações. "Essas crenças não têm nenhum fundamento. A evolução costuma selecionar organismos que tenham mecanismo de sobrevivência individual, não mecanismos de interrupção da vida", afirma o etólogo (estudioso do comportamento animal) César Ades, da Universidade de São Paulo (USP).

Dessa forma, o suicídio enquanto morte intencional não faz sentido dentro de uma perspectiva biológica entre os animais irracionais. "Podemos dizer que o suicídio é uma prerrogativa do ser humano. A capacidade simbólica de que dispomos nos torna capazes de prever e de precipitar nossa morte", diz Ades. O especialista, no entanto, faz uma ressalva: "É verdade que os animais podem expor sua vida - e mesmo perdê-la - em função de uma defesa da própria existência da espécie". É o que ocorre com certos tipos de aves que, quando o ninho onde criam seus filhotes é ameaçado, se arrastam no chão, bem à vista do predador em potencial, simulando uma asa quebrada. Ou ainda o que ocorre com algumas espécies de aranhas encontradas na Austrália e na região do Mediterrâneo, na Europa, que se deixam ser devoradas pelos filhotes numa bizarra estratégia de perpetuação da espécie.

Parece, mas não é
Engana-se quem pensa que lemingues e escorpiões se matam


Picada por engano
Quando o escorpião é acuado num círculo de fogo, parece lançar o ferrão sobre o corpo, num aparente suicídio. Mas não é exatamente isso que ocorre. Nessas situações, o aracnídeo fica agitado com a alta temperatura ao seu redor e perde o controle de sua cauda, dando a impressão de que está tentando se picar. Mas o bicho morre mesmo é de desidratação por causa do calor.

Caindo no precipício
Os lemingues são pequenos roedores que habitam os penhascos da Escandinávia. Não passa de mito a história de que eles saltam no precipício quando há explosões populacionais, num movimento planejado para perpetuar a espécie. O que ocorre é que ao se deslocarem desordenadamente em bandos muitos indivíduos caem empurrados pelos que vêm atrás.

Mundo Estranho

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