quinta-feira, 3 de março de 2011

Tubarões fazem "mapa mental" para se movimentarem

Algumas espécies de tubarão conseguem navegar para locais específicos a mais de 50 quilômetros de distância, de acordo com um estudo publicado esta semana pelo "Journal of Animal Ecology" da Sociedade Ecológica Britânica. Analisando o rastreamento de alguns tubarões, os ecologistas descobriram que, enquanto algumas espécies nadam em um padrão "aleatório", outros, como os tubarões-tigres, são capazes de capturar suas presas usando uma "rota direta", nadando por longas distâncias no oceano aberto, geralmente à noite.

Os tubarões otimizam padrões de busca para encontrar alimentos, companheiros e segurança. Em locais novos, dos quais não são familiares, eles usam diferentes tipos de "andar aleatório". No entanto, muitos animais ocupam grandes áreas onde vão desenvolver mapas mentais dos recursos e usar "rotas diretas" (movimentos para locais já conhecidos).

Os pesquisadores conseguiram distinguir as formas de "andar" dos tubarões reparando na forma dos movimentos do peixe em diferentes escalas espaciais. O estudo comparou a distância que os peixes cumpriram com estimativas, feitas por modelos, de como avançariam num ritmo mais aleatório.

- Nossa pesquisa mostra que, às vezes, os tubarões-tigres e os tubarões-raposas não nadam aleatoriamente, e sim para regiões específicas. Resumindo, eles sabem para onde vão - explicou Yannis Papastamatiou, pesquisadora do Museu de História Nacional da Flórida e autora principal do estudo. - Ficamos surpresos com a diferença no modo de nadar do tubarão-raposa jovem e o adulto, que cumpre suas distâncias de forma muito mais rápida e direta. Acreditamos que isso ocorre porque os adultos aprenderam a se movimentar mais efetivamente do que os jovens, ou desenvolveram mapas mentais das áreas em que vivem.

Os tubarões têm habilidades sensoriais impressionantes. Contam com boa audição, visão e olfato e podem detectar certas substâncias químicas - mesmo quando presentes em concentrações muito baixas -, assim como sons de baixa frequência a centenas de metros de distância. Há evidências cada vez mais sólidas de que esses peixes navegariam tendo como base o campo magnético do planeta.

O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta-se a vontade para comentar