segunda-feira, 23 de maio de 2011

Lhama. Sucesso da civilização inca se deve a esse Camelidae

Machu Picchu, a famosa cidade inca nos Andes peruanos, celebrará em julho o centenário de sua "descoberta" pelo mundo exterior, em um evento imponente, mas há indicativos de que as origens do local tenham sido menos glamourosas.

Segundo pesquisa publicada no jornal "Antiquity", especializado em arqueologia, a civilização inca pode ter crescido e evoluído graças aos dejetos das lhamas.

A transição da caça e coleta à agricultura, 2.700 anos atrás, que permitiu aos incas se acomodar e prosperar na área de Cuzco onde fica Machu Picchu, diz o autor do estudo, Alex Chepstow-Lusty.

Aurelio Alejo/France Presse

Homem vestido tradicionalmente se prepara para evento que marcará, em julho, os cem anos de Machu Pichu

O pesquisador do Instituto Francês de Estudos dos Andes em Lima afirma que o desenvolvimento da agricultura e o plantio de milho é um fator crucial para o crescimento de civilizações. "Cereal faz as civilizações", diz.

Chepstow-Lusty passou anos analisando os depósitos orgânicos na lama de um pequeno lago chamado Marcaccocha, que fica localizada entre uma selva e Machu Picchu.

Sua equipe encontrou uma correlação entre as primeiras aparições de colheitas de milho entre 7000 a.C. --o que mostra a primeira vez que o cereal teria sido plantado naquela altitude-- e um aumento vertiginoso no número de parasitas que se alimentam de excrementos animais.

Os pesquisadores concluíram que a transição ampla à agricultura só foi possível com um ingrediente extra: fertilizantes orgânicos usados em grande escala. Em outras palavras, muitos dejetos de lhamas.

LEGADO

As lhamas eram e ainda são comumente usadas nos Andes peruanos para carregar produtos e prover carne e lã.

O lago Marcaccocha se localiza próximo a uma antiga rota de comércio, e lhamas que transportavam bens entre a selva e as montanhas costumavam parar ali para beber água e "fazer suas necessidades".

"Isso proveu fertilizantes, facilmente coletados --como ocorre hoje-- pela população local para as plantações ao redor", afirma Chepstow-Lusty.

À medida que os incas adotaram o milho --rico em calorias-- em sua alimentação, sua sociedade se desenvolveu na região de Cuzco.

Cerca de 1.800 anos desde o início da transição para a agricultura, uma onda prolongada de clima cálido permitiu que os incas realmente prosperassem e construíssem grandes assentamentos de pedra, como Machu Picchu e Ollaytaytambo.

A civilização acabou há muito tempo, destruída por conquistadores espanhóis nos anos 1500, mas seus descendentes, os quéchuas, ainda usam os dejetos de lhama como fertilizantes e como combustível para aquecimento.

"O vale está repleto de indígenas que seguem esse estilo de vida de 2.000 anos", relata Chepstow-Lusty.

Quando os convidados chegarem a Machu Picchu para celebrar os cem anos desde que o explorador Hiram Bingham mostrou ao mundo a existência do local, talvez eles possam agradecer à humilde lhama ao vislumbrar as construções. (BBC Brasil)

O Lhama (Lama glama) é um mamífero ruminante, da Ordem Artiodactyla, e da Família Camelidae. É parente próximo da Alpaca (Lama pacos), do Guanaco (Lama guanicoe) e da Vicunha (Lama vicugna).
A palavra “Lhama”, ao contrário do comumente usado, é um substantivo masculino. Ou seja, o correto é “o” Lhama.


Sua aparência é curiosa. Seu pescoço é alongado e seu pêlo, fino e longo, tem cores em tonalidades diferentes. Sua cabeça é oval, diferente da cabeça redonda das alpacas. Pode atingir 1,7 metros de altura, seu comprimento varia entre 1,4 e 2,4 metros (contando com a cauda de aproximadamente 25 cm) e chega a pesar 150 kg.
Existem duas variedades de lhama: a Chaku, que apresenta mais pêlo, e a Qara, que têm pouco pêlo.


Os Lhamas habitam os arredores da Cordilheira dos Andes, em países como Bolívia, Chile, Peru, Argentina e Equador. São animais que foram domesticados há aproximadamente 4000 mil anos, sendo que hoje não são mais encontrados lhamas selvagens. Foram muito importantes para os povos incas, sendo que, na época, eram os únicos animais domesticados. Esse animal faz parte da mitologia andina.

São utilizados para produção de carne, couro e lã. Atualmente, as criações de lhama em cativeiro visam principalmente à produção de carne e


a utilização para o transporte de carga, já que a alpaca produz lã mais longa e macia. A lã retirada dos lhamas, sobretudo das fêmeas (uma vez por ano) é utilizada na fabricação de tecidos mais grosseiros.

Aliás, o transporte de carga é a maior utilidade dos lhamas, pois estes estão adaptados às grandes altitudes dos Andes, não sentem dificuldade em enfrentar as perigosas trilhas da cordilheira, viajam cerca de 40 km por dia e carregam até 50 kg de peso. Esse limite de peso impede que o lhama seja utilizado como montaria.


O lhama, como ruminante que é, alimenta-se de capim e mato.
A gestação dura aproximadamente onze meses, e o filhote da lhama pesa, ao nascer, cerca de 11 kg.

Apesar de demonstrar grande curiosidade e muita tranquilidade, o lhama irrita-se facilmente. Têm o hábito de cuspir em outros lhamas, e mesmo no homem, com o objetivo de intimidar.
O lhama chega a viver até 24 anos.

[Por Thais Pacievitch - Infoescola]

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