quinta-feira, 26 de maio de 2011

Renas enchergam luz ultravioleta, diz estudo

Renas são capazes de enxergar a luz ultravioleta, revela estudo

RIO - Pesquisadores descobriram que a luz ultravioleta (UV), que causa a temporária, mas dolorosa condição de cegueira da neve em seres humanos, é o que salva a vida das renas no Ártico. Uma equipe do Conselho de Pesquisa de Ciências Biotecnológicas e Biológicas (BBSRC, na sigla em inglês), da Universidade College London, publicou um relatório no início do mês na "Revista de Biologia Experimental" que mostra que esta habilidade visual é parte da adaptação desses animais às condições extremas dos ambientes onde vivem. Isso as permite obter informações que as mantêm vivas em condições em que a visão normal dos mamíferos os deixaria vulneráveis a fome, predadores e conflitos territoriais. O estudo também resolve a questão de como as renas protegem seus olhos dos danos dos raios UV, que são considerados prejudiciais à visão humana.


O coordenador da pesquisa, professor Glen Jeffery comentou as conclusões:

- Nós descobrimos que renas podem não só ver a luz ultravioleta, mas também podem discernir entre as imagens para encontrar comida e ficar em lugares seguros. Os humanos e quase todos os outros mamíferos nunca poderiam fazer isso. Em condições com muitos raios UV, quando estamos cercados por neve, por exemplo, pode ser prejudicial aos nossos olhos. No processo de bloquear a luz UV para que ela não alcance a retina, nossa córnea e lentes absorvem a energia prejudicial e podem ser temporariamente queimada. A frente dos olhos fica escurecida e chamamos isso de cegueira da neve. Apesar de isso ser normalmente reversível e desempenhar um papel vital para proteger nossas retinas sensíveis de danos potenciais, é muito doloroso.

Seres humanos são capazes de ver a luz com comprimento da onda variando de cerca de 700 nm, que corresponde à cor vermelha, com todas as cores do arco-íris em sequência, chegando a 400nm, que corresponde ao violeta. O professor Jeffery e sua equipe testaram a visão das renas para checar qual comprimento de onda elas podiam ver e descobriram que podem lidar com comprimentos de cerca de 350 a 320 nm, que é a chamada ultravioleta, que excede o extremo que alcançamos, chamado de espectro visível de cores.

As condições de inverno no Ártico são muito severas, o chão fica coberto de neve e o sol é muito baixo no horizonte. Às vezes, ele mal se levanta no meio do dia, fazendo o lugar ser escuro na maior parte do tempo. Sob essas condições, a luz é dispersa de tal modo que a maior parte que alcança os objetos é azul ou UV. Além disso, a neve pode refletir até 90% da luz UV que incide sobre ela.

- Quando nós usamos câmeras que podiam alcançar a UV, percebemos que há algumas coisas muito importantes que a absorvem e, portanto, aparecem em preto, contrastando fortemente com a neve. Isso inclui a urina - um sinal de predadores ou competidores; líquen - uma das principais fontes de alimento no inverno; e peles, fazendo os predadores, como os lobos, muito fáceis de serem vistos, apesar de serem camuflados para outros animais que não podem ver a luz UV.

Essa pesquisa responde algumas questões interessantes sobre o efeito da luz UV na saúde dos olhos. Sempre foi assumido que os olhos dos seres humanos não a deixam passar porque poderia danificar nossos sensíveis fotorreceptores, que não podem ser substituídos. Renas do Ártico são capazes de deixar a luz UV penetrar em seus olhos e usar a informação efetivamente em seu ambiente sem sofrer qualquer consequência.

- Talvez a luz UV não seja tão prejudicial para os olhos quanto achamos. Ou talvez as renas tenham uma forma única de proteção, que poderíamos aprender e desenvolver novas estratégias para prevenir ou tratar danos que a luz UV pode causar aos humanos.

O Globo

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