quinta-feira, 30 de junho de 2011

Corvo é capaz de reconhecer e dar alerta sobre perigo

Corvo é capaz de reconhecer e dar alerta sobre perigo
Os corvos são animais mais espertos do que parecem. Eles não só são capazes de identificar o rosto de uma pessoa que possa representar perigo, como também alertar os demais sobre a ameaça.

Intrigados pelo comportamento dos corvos-americanos (Corvus brachyrhynchos) no campus da Universidade de Washington, em Seattle, cientistas dessa instituição investigaram se as aves associariam um rosto a uma situação assustadora.

No estudo, corvo reagiu com alerta a máscaras humanas associadas com algum comportamento ruim contra as ave

Para isso, os pesquisadores usaram uma máscara de borracha de um homem das cavernas antes de aprisionar, vendar e libertar sete corvos. Em seguida, dividiram-se em dois grupos.

Um deles usou uma máscara "perigosa" e outro, uma máscara neutra --a do ex-vice-presidente americano Dick Cheney.

Depois, observaram, enquanto caminhavam com seus colegas, o comportamento do bando de corvos.

REÇÃO COLETIVA

A máscara do homem das cavernas fez com que as aves dessem uma resposta coletiva à ameaça. Elas gralharam e gritaram, agitando furiosamente as asas e as caudas para alertar sobre o perigo. A máscara de Cheney, ao contrário, não motivou respostas.

Os cientistas levaram a experiência a outros quatro locais fora da universidade. E, desta vez, recorreram a máscaras diferentes. Os rostos tinham aparência comum, de homens e mulheres, brancos ou asiáticos, e 41 aves foram capturadas e vendadas.

Conforme o tempo passou, o número de aves que emitiu um alerta para a máscara que representava perigo aumentou.

Nos domínios da universidade, os alertas aumentaram de 20% das aves após a vendagem para impressionantes 60% cinco anos depois.

"Nos outros locais, nós só fizemos os testes por um ano e meio, e lá, de 20% a 40% das aves emitiram alertas", comentou por e-mail John Marzluff, professor de ciência da vida selvagem.

Uma explicação para o aumento dos alertas seria o fato de que algumas aves furiosas eram filhotes dos corvos vendados. Ainda bebês, eles teriam acompanhado os pais reagindo a uma percepção de perigo.

Como também havia corvos sem vendas vivendo a até 1,2 km do local, a hipótese é que eles se agruparam, aparentemente aprendendo sobre a ameaça por meio dos membros do grupo.

RECONHECIMENTO FACIAL

Segundo o estudo, o reconhecimento facial é essencial para os corvos. Alguns humanos do entorno alimentam as aves enquanto outros atiram nelas.

"Os corvos urbanos são muito atentos às pessoas e separam aquelas que são boas provedoras das que são perigosas", emendou.

Os corvos são particularmente intrigantes porque precisam dominar três fontes potenciais de informação, destacou a pesquisa, publicada na revista britânica "PNAS".

As aves adquirem informação de primeira mão, por meio de suas próprias experiências, "verticalmente", através de seus pais, e "horizontalmente", por outras aves.

Administrar esta mistura de fontes significa que as aves têm uma flexibilidade notável para processar informação.

Em termos evolutivos, os animais precisam fazer uma escolha quando se trata de processar a informação.

Obter informação em primeira mão --sobre ameaças ou comida, por exemplo-- é a forma mais confiável, mas também potencialmente perigosa.

De acordo com os cientistas, é improvável que o corvo-americano faça sozinho este processamento de dados.

Folha Online

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