segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Berçário de elefantes vira atração turística na África

Orfanato cuida de elefantes que perderam pais em guerra por marfim
A Fundação é mantida por turistas que pagam cerca de R$ 15 para passar algumas horas com os elefantinhos. Eles chegam ao local, muitas vezes, quase mortos. Em pouco tempo, estão fortes e felizes.



O Fantástico foi ao coração do Quênia para fazer uma reportagem sobre crime, amor e esperança. A equipe mal foi posicionada e apareceu um elefante curioso para roubar a cena. Na verdade, se trata de um elefante bebê que não tem nem um ano de idade, embora já pese quase 300 kg. Ele é um dos elefantinhos abrigados no orfanato criado só para eles pela Fundação David Sheldrick. Eles chegam ao local, muitas vezes, quase mortos. Em pouco tempo, estão fortes, felizes e brincando uns com os outros. O banho de lama, além de divertido, serve de protetor solar e repelente de mosquitos.

Um elefante bebê recebe leite em um frasco de um tratador durante sua sessão de alimentação diária (Foto: Karel Prinsloo / AP Photo)

Com tanta energia para gastar, o alimento natural nem sempre é suficiente. Por isso, de três em três horas, os filhotinhos recebem um reforço especial.


Depois de quatro anos de muitas tentativas, os funcionários da Fundação David Sheldrick conseguiram desenvolver uma mistura muito parecida com o leite de uma elefanta. A fórmula e preparada com um carinho quase maternal: água quente, leite de soja em pó e, para completar, leite de coco.

A mistura faz o maior sucesso. Os mais velhos chegam a segurar a própria mamadeira. Aliás, a mamadeira tem tamanho ‘elefante’, com três litros. E eles chegam a tomar logo quatro ou cinco de uma vez. Bem alimentados, um dia eles serão gigantes africanos de seis toneladas. O peso que tinham os pais deles abatidos covardemente por traficantes de marfim.

Por isso, existe o orfanato. Os caçadores costumam matar os adultos para tirar as presas deles. O crime vem sendo combatido pela maioria dos países da África, mas que também por isso seduz ainda mais os mercadores.


O marfim que custava R$ 200 o quilo nos tempos dos safáris quase livres, agora chega a valer 10 vezes mais. Dependendo do tamanho, custa R$ 2 mil o quilo do chamado ouro branco.

Vão-se os marfins, e ficam para trás os órfãos. Para cada elefantinho salvo na África, outro morre por falta de alimento.

Em 1970, a população de elefantes no Quênia era de aproximadamente 170 mil animais. Já nos anos 90, caiu para 16 mil, menos de 10% do que havia antes. Atualmente, são 35 mil elefantes espelhados por todo o país, graças a trabalhos como o da fundação.

Quem banca o projeto são os turistas. Em média, são 200 visitantes por dia. Eles pagam R$ 15 para passar algumas horas com os elefantinhos, acompanham as principais atividades deles e se divertem junto com eles. “Não sei se minha filhinha vai se lembrar do que viu, pois ainda é muito pequena. Mas eu, sem dúvida, jamais vou esquecer”, afirma o turista americano.

Para as ’mamães' dos elefantinhos, como são chamados os funcionários do orfanato, a presença dos turistas é uma bênção para o projeto. “É o grande momento do dia. Sem esses visitantes, esse animais não teriam futuro”, diz Edwin Luciti, chefe da equipe.

Futuro: eis o que espera cada um desses elefantinhos. Quando completam quatro anos de vida, eles são levados de volta para as mesmas savanas em que foram encontrados. Em 30 anos de funcionamento do orfanato, cerca de 150 animais foram salvos. Na terra de seus ancestrais, os elefantes recebem uma nova chance de viver e de ter outra sorte.

Fonte: Site do Fantástico

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