terça-feira, 27 de agosto de 2013

Lhamas viram animais de estimação nos EUA

Lhamas viram animais de estimação nos EUA


JENNIFER A. KINGSON
DO "NEW YORK TIMES"

Existe um bom número de motivos para criar lhamas como animais de estimação, segundo seus aficionados: lhamas são silenciosas, delicadas e afetuosas, não dão muito trabalho e não cheiram mal.
Mas há mais que isso. Olhe para uma lhama e ela retribuirá de maneira simpática com seus enormes olhos e suas orelhas levantadas, parecendo que entende você e realmente se importa.

Foi o que Katrina Capasso descobriu. "Elas são como batatas fritas. É difícil parar com apenas algumas." Capasso, 49, vive em Ballston Spa, a cerca de 260 quilômetros ao norte da cidade de Nova York. Sua primeira lhama foi um presente de casamento de seu marido, Gary, em 1990. Hoje eles têm 55 lhamas.


Caroline Yang/The New York Times
Susan Morgan, que cria lhamas em Hastings, Minnesota, diz que os animais estabelecem relacionamentos murmurando

Usados como animais de carga na América do Sul há séculos, hoje as lhamas são criadas em todo o mundo. Algumas décadas atrás, eram quase desconhecidas nos EUA. Hoje existem cerca de 115 mil, segundo o Registro Internacional de Lhamas.

Os criadores de lhamas podem pagar até US$ 30 mil por um macho de alta qualidade, mas uma lhama comum de estimação pode custar menos de US$ 500. Diante da demanda por fibra de lhama entre os tecelões, os proprietários poderão recuperar uma parte do valor investido.

Pam Fink e seu marido, Jerry, ambos com 65 anos, gostam de passar as noites de verão sentados em sua varanda e vendo as lhamas pastarem. "Eu as chamo de nossos enfeites de jardim ambulantes", disse ele com carinho.

Pam cria hoje lhamas-miniatura, uma raça diferente, com cerca de três quartos do tamanho das lhamas comuns.

As lhamas são animais que vivem estritamente ao ar livre, e os machos devem ficar separados das fêmeas, ou eles cruzarão sem parar. Fora isso, são muito comportadas. Os proprietários devem verificar cuidadosamente se elas estão feridas ou doentes, pois as lhamas são tão estoicas que raramente se queixam. Elas podem viver décadas.

Richard Snyder, executivo aposentado, comprou uma fazenda em Milford, na Pensilvânia, em 1985, como refúgio no campo. Alguns anos depois, comprou 13 lhamas. Hoje tem quase 60. Ele não apenas as cria, como também usa seu esterco para fertilizar as hortas.

As lhamas são silenciosas, mas, quando um macho está interessado por uma fêmea, ele faz um ruído que parece um gargarejo. As fêmeas fazem estalidos. Todos as lhamas murmuram.
Faz parte do relacionamento, disse Susan Morgan, 54, que cria lhamas-miniatura em Hastings, em Minnesota. "Eles se reconhecem pelo murmúrio."

Pam Fink tem um gato e dois cachorros, mas as lhamas são seus pets preferidos. "Posso sentir meus batimentos cardíacos diminuírem", diz.

A presença de lhamas é terapêutica para pessoas doentes ou incapacitadas. "As lhamas têm um incrível sexto sentido", disse Robin H. Turell, 55, que cria lhamas em Cypress, no Texas. "Elas são muito boas com as pessoas que têm necessidades especiais."

A doutora Jane Rudd, médica em Duluth, em Minnesota, contou sobre um lhama especialmente sensível, chamado Amigo, que ela levou para visitar escolas.

Depois que Amigo passou uma manhã com alguns estudantes, uma professora perguntou se podia trazer um grupo com necessidades especiais para ver o animal. "Havia provavelmente oito ou dez crianças barulhentas e agitadas, e uma estava em cadeira de rodas", lembrou a doutora Rudd. "Ela tinha necessidades realmente especiais."

Amigo se aprumou e a levou diretamente ao menino na cadeira de rodas. "Ele deitou a cabeça no colo desse menino", contou.

"Amigo simplesmente sabia: aquela era uma pessoa que precisava dele."

folha.uol.com.br

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