sexta-feira, 28 de março de 2008

Chimpanzé à procura de fêmea para casar



Chimpanzé procura fêmea para casar
Jimy, que já atuou até em comercial na TV, hoje vive solitário no Zôo de Niterói.
Segundo veterinário, mais do que procriar, ele precisa formar uma família.

Se pudesse pôr um anúncio nos jornais, Jimy escreveria mais ou menos assim: macho de 24 anos, 1,68m de altura e 50kg, que já atuou em comerciais de TV, procura parceira para relacionamento duradouro. Muitas responderiam o chamado, não fosse Jimy um chimpanzé com a força de seis homens e a inteligência de uma criança de 6. Há oito anos em busca de uma fêmea para chamar de sua, é num velho cobertor que busca aconchego.

Veja a galeria de fotos de Jimy


“Ele está namorando muito com o cobertor e é apaixonado pela minha esposa”, brinca o médico veterinário André Sena Maia, especialista na recuperação de animais e conhecido como Dr. Dolittle brasileiro.

Giselda Candiotto, diretora da ZooNit (Fundação Jardim Zoológico de Niterói), conta que procura uma parceira para Jimy há quatro anos, desde que sua jaula foi adaptada para receber uma fêmea.


“Com 100 m², tem maternidade e uma zona de namoro. Eles levam oito meses para se aproximar”, conta.


Fêmea, só sem experiência
E não basta ser uma paquera passageira: os chimpanzés, conta André Maia, gostam de formar família e ficar com a parceira para o resto da vida.

“Se houvesse um serviço de prostituição de chimpanzés não resolveria o problema. O chimpanzé precisa de uma companheira e não de uma parceira sexual. Ele precisa de uma esposa. Eles precisam de uma família, não apenas de sexo”, conta o veterinário.

As exigências não param por aí. O ideal é que a fêmea tenha cerca de 10 anos, quando atinge sua maturidade reprodutiva, e que não tenha muita experiência, digamos assim, na área amorosa.

“A fêmea não deve ter outra experiência, porque o macho percebe e fica inibido”, conta André, explicando que eles têm capacidade de pensar e ter sentimentos como vingança, ciúmes, paixão.

Trabalho por comida em circo
Até chegar ao Zôo de Niterói, Jimy encontrou algumas pedras no caminho. Giselda conta que ele estrelou até um comercial de refrigerantes, mas, ao ir parar num circo, era obrigado a trabalhar em troca de comida. Chegou a ficar dez anos numa pequena jaula, antes de ser doado para a fundação, que o acolheu há oito anos.

Hoje, faz a alegria da criançada que visita o Zôo e tem uma vida de rei: escova os dentes com creme dental para crianças, toma banho com sabonete, tem uma alimentação baseada em frutas, folhas e verduras e toma todo dia uma vitamina com leite em pó, cereais e frutas à tarde.


Jaula tem mais segurança do que Bangu 1, diz veterinário
Quem vê o chimpanzé, que tem medo de minhocas, interagir carinhosamente com seu veterinário, trocando beijos e abraços, não imagina sua força e os ataques de fúria de que é capaz. André Sena Maia explica que, num Zoológico, a maior preocupação com a segurança não é com leões e tigres e sim com os chimpanzés, por causa da sua inteligência.

O teto de sua jaula agüenta uma pressão de 750kg e as grades, de 1,5 tonelada. No solo, há uma laje com 1,5m de altura para o caso de ele cavar o chão de terra. Já as paredes são recheadas de concreto e revestidas com pedra.

“O recinto em que ele vive é mais seguro do que Bangu 1, 2 e 3 juntos”, conta. “Eles são capazes de roubar os chaveiros dos tratadores para tentar fugir. Por isso há um corredor de segurança no recinto com duas portas e dois chaveiros em cada uma delas”.

E não é só daquele lado da ponte Rio-Niterói que é difícil encontrar uma cara-metade no mundo animal. No Zôo do Rio, a girafa macho Zagallo teve que viajar por 15 horas num contêiner preso a um caminhão, vindo de São Paulo, para encontrar sua nova parceira Beija-Céu. Segundo o Zôo, os dois ainda estão se conhecendo e só devem ocupar o mesmo recinto a partir do próximo dia 10 de abril.


Como visitar
Onde fica: O Zôo de Niterói fica na Alameda São Boaventura, 770, Fonseca.


Horário: 8h30 às 16h30, todos os dias.

Preço: R$ 5. Crianças de até 1,10m e pessoas com mais de 65 anos não pagam. Estudantes com carteira pagam meia entrada.

Telefone: (21) 2721-7069 e (21) 2625-6024.

Do G1, no Rio

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