segunda-feira, 27 de junho de 2011

Zoológico usa tecnologia para salvar espécies em extinção

Thomas Hildebrandt poderia ser apelidado de cegonha. Em uma maquininha, ele congela sêmen, óvulos e pedaços de tecidos de animais.Ele toca o maior projeto de reprodução de animais selvagens do mundo.




No centro de Berlim, os portões chineses são a entrada de um paraíso. Um zoológico com 165 anos, que abriga animais em palacetes temáticos, criando uma atmosfera de outra época, de fantasia. Nenhum outro zoológico do mundo abriga tantas espécies - são mais de 13 mil.

Nos bastidores deste espetáculo permanente, dezenas de cientistas trabalham duro para garantir que espécies em risco de extinção sejam preservadas. Doenças que atacam animais selvagens são estudadas nos laboratórios. Exames de última geração permitem o estudo detalhado da anatomia, e do funcionamento do organismo desses bichos.

O doutor Thomas Hildebrandt poderia ser apelidado de cegonha. Ele toca o maior projeto de reprodução de animais selvagens do mundo. Em uma maquininha, ele congela sêmen, óvulos e pedaços de tecidos de animais.

Ele acaba de trazer de Paris o sêmen de rinoceronte branco - que sobrou de uma inseminação bem-sucedida no zoológico de lá. Em poucos segundos o sêmem está congelado. E vamos juntos guardar no lugar onde estão estocados óvulos, espermatozóides e tecido reprodutivo de mais de 500 espécies.

“Vocês tem mais espécies do que a arca da Bíblia”, brinca a repórter.

“Ah, mas a Bíblia fala em bestas, em feras. Então pode ser qualquer coisa, qualquer animal”, res´ponde Hildebrant. De algumas espécies, só existem amostras da pele. Um dia esperam transformar essas células em espermatozóides ou óvulos.

No zoológico, é uma profusão de bebês. Uma história de sucesso após a outra. O bebê Kigoma é só o último de várias gerações de rinocerontes nascidos em cativeiro. O zoológico de Berlim presta assistência a zôos de todo o mundo que querem reproduzir rinocerontes. Por isso nada mais natural do que esse time ser chamado também para salvar uma espécie que só existe na natureza e está ameaçada de extinção.

O lince é um felino, menor do que a onça. O único felino nativo da Europa. Os que vivem na Escandinávia estão bem. Mas uma população da Espanha, nas montanhas perto da França, está muito ameaçada.

O lince ibérico é atualmente considerado o felino mais ameaçado do mundo, e encontra-se classificado como espécie criticamente em perigo


A professora Kararina Jewgnow, do departamento de reprodução animal faz um alerta. “Hoje o lince ibérico é o felino mais ameaçado no mundo. Se não fizermos nada, perdermos esta espécie, será o primeiro felino extinto desde o tigre de dente de sabre, há 10 mil anos”.

Para evitar essa tragédia, os pesquisadores estão dando uma mãozinha à natureza. Eles observam todas as famílias de linces. E garantem que cada ninhada sobreviva em segurança. Que nenhum período fértil passe sem que a lince encontre um parceiro. Já conseguiram impedir que a população continue caindo.

“Não poderemos abrir a boca para falar de animais em perigo na América do Sul, na África e Ásia, se não pudermos salvar uma espécie aqui na Europa”, afirma a professora.

Zoológico de San Diego mantém quase todos os mamíferos fora da jaula

Nos Estados Unidos, o repórter Rodrigo Alvarez mostra o trabalho de outro grande aliado nessa luta pela preservação das espécies. Com seus quatro mil animais, o zoológico de San Diego é um dos maiores e mais importantes do mundo. É um dos poucos que mantêm praticamente todos os mamíferos fora da jaula.

É uma situação que a gente dificilmente veria na natureza porque é praticamente impossível chegar tão perto de um rinoceronte e dar comida na boca dele.

Mas o zoológico guarda um tesouro ainda maior congelado dentro de um edifício. O nitrogênio líquido a mais de 170 graus negativos preservam material genético de 8,4 mil animais. As primeiras amostras de DNAs de animais foram guardadas em 1975, em uma época quando ninguém fazia idéia de que seria possível decifrar o código genético inteiro ou mesmo clonar um animal.

O diretor do zoológico Oliver Ryder é claro: não basta a clonagem pura e simples para reviver uma espécie. “Temos um animal extinto aqui, que é um pássaro havaiano, mas só temos amostras de um macho e um macho só não traz a espécie de volta”, explica.

Então como criar uma fêmea? Usando células da pele, cientistas conseguiram criar células-tronco de um macaco africano ameaçado de extinção. A expectativa é usar as células-tronco para criar espermatozóides e óvulos. E assim permitir um novo ciclo de reprodução em várias espécies.

No fim dos anos 1970 um grande vazio no céu dos Estados Unidos. O maior pássaro da América do Norte estava quase desaparecendo. Só 22 foram encontrados e no zoológico de San Diego eles se multiplicaram.

O condor pode até não ser o animal mais bonito que você já viu na vida. Mas ele se transformou em uma grande história de sobrevivência.

Fantástico

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