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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A última chance do urso Zé Colmeia

RIO - Zé Colmeia é um urso apressado. Quando os funcionários do RioZoo abrem a cela em que dorme, dedica-se a explorar os 100 metros quadrados de seu recinto, divididos em pátio de cimento e piscina cristalina, nutrida por uma queda d'água e cercada de pedras brancas. Zé nada afoito, devora as frutas que lhe são atiradas e ronda a pacata Trina, fêmea com quem divide espaço e comida. Parece um paraíso. Mas nem sempre foi assim. O animal que divide-se entre tantos prazeres já foi esquelético e marcado por chibatadas num circo - um retrato comum, embora pouco conhecido, entre bichos usados como atrações em picadeiros.

O descanso de Trina, parceira mais velha e já viúva, é interrompido quando Zé monta em seu dorso. O novo companheiro quer cruzar com ela neste verão - única estação em que as representantes da espécie entram no cio. Até agora, tem sido um fracasso. Ou o macho é recebido a dentadas, ou, quando bem-vindo, não sabe levar a cabo seu propósito.

A falta de intimidade com o sexo é só um dos resquícios de seu passado traumático. Zé Colmeia está atrasado. Já deveria ser maior do que Trina, mas, apesar de insaciável (no que diz respeito à comida), permanece abaixo do peso. Já deveria ter um certo histórico em cópulas - afinal, os machos se iniciam sexualmente até os 8 anos, e ele já chegou aos 10. Exibe sua inexperiência diariamente, ao assediar Trina mesmo quando a fêmea, 22 primaveras nas costas, quer só contemplar a queda d'água.

Para um animal tão jovem, a biografia de Zé Colmeia impressiona. A começar pelo que é desconhecido. Sua idade é estimada. Onde nasceu, ninguém sabe. Muito menos seu primeiro nome - o atual só lhe foi atribuído em novembro de 2007, quando sua vida deixou de ser um acúmulo de sequelas.

Até aquela data, Zé (ou que nome tivesse) era propriedade de um circo itinerante - prática proibida pela legislação fluminense. Trabalhou para o respeitável público até os 5 anos, mas sem o devido reconhecimento. Fora da lona, apanhava até caírem os pelos e era mantido em uma jaula menor do que ele, onde era impossível apoiar-se em dois pés. O único alimento disponível era ração de cachorro.

Certo dia, revoltou-se contra uma rotineira sessão de chicotadas. Atacou o domador. Não provocou ferimentos graves, mas pagou caro pela ousadia. Acabava ali a sua carreira artística.

Zé Colmeia passou dois anos trancado em uma jaula, cuja porta foi soldada em três pontos. O castigo teve fim quando uma denúncia anônima levou o Ibama ao circo, então instalado em Campos, no Norte Fluminense. Os fiscais do órgão incumbiram o RioZoo de acolher o urso. Ele já ostentava duas enormes áreas sem pelos sobre a cabeça, de tanto roçá-la no teto da jaula. Outra memória do cativeiro era ainda mais visível. O animal chegou raquítico ao zoológico de São Cristóvão. Embora o peso da espécie varie entre 250 e 500 quilos, Zé Colmeia equilibrava seus quase 2 metros em somente 96 quilos.

- Era um animal pouco desenvolvido e cheio de distúrbios de comportamento, por causa dos maus tratos que sofreu - lembra Ânderson Mendes, biólogo do RioZoo que batizou o urso e o acompanha desde sua chegada à instituição. - Zé passava o dia inteiro na porta do cambiamento, como chamamos o local em que dormem, balançando a cabeça como se fosse um pêndulo. Sequer explorava a piscina.

Hoje, segundo Mendes, Zé é "quase normal". Seus traumas, porém, ainda exigem medicamentos. O urso é tratados à base de ansiolíticos - também consumidos por humanos com transtorno obsessivo compulsivo.

- Em dois anos, o peso dele praticamente dobrou - comemora o veterinário Daniel Balthazar, outro fiel $do urso. - Mas seu desenvolvimento foi tão prejudicado que talvez ele não chegue ao tamanho ideal. E precisamos cuidar de sua compulsão por comida. O Zé ainda fica muito agitado quando percebe que está chegando a hora da refeição.

E haja comida. Zé come cerca de 30 quilos de frutas, verduras, legumes e carne bovina por dia. Ele também recebe lanches-surpresa - pequenos mimos, como quatro maçãs, um cacho de bananas, uma melancia e $ou outro peixe. O cardápio o mantém tão ocupado que mal sobra tempo para machucar-se na porta do cambiamento.


O inquilino agitado não agradou Trina, há 15 anos no zoológico. A veterana segue o instinto da espécie: ursos machos e fêmeas só costumam se encontrar quando a fêmea está no cio. Fora dessas raras ocasiões, cada qual fica no seu canto. Mas, num espaço como o zoológico, nem sempre valem as regras da natureza.

Quando Trina e Zé se encontraram, foi agressão à primeira vista - por parte dela, diga-se. A dupla, por iniciativa dos funcionários do zoológico, passou a explorar pátio e piscina em horários alternados. Um só via o outro à noite, no cambiamento. Uma grade encarregava-se de separá-los naquele espaço, evitando novas brigas.

Demorou dois anos até a hostilidade evoluir para um namoro à distância. No fim do ano passado, ambos foram soltos juntos, e Trina enfim mostrou tolerar a companhia.

O namoro veio em boa hora. Era o início do verão, época de perpetuar a espécie. A luminosidade da estação estimula o sistema nervoso central da fêmea a produzir hormônios sexuais. A fêmea os secreta no cio, um estágio $dura de três a cinco dias, manifestado apenas três vezes por ano.

Os feromônios secretados pela fêmea no cio estimulam o macho a se aproximar. Aproximadamente 200 dias depois, já no inverno, o resultado do encontro vem à luz. São geralmente dois filhotes.

A natureza parece ter pensado em tudo. Mas houve um fator surpresa: Zé Colmeia.

- Como ele é um animal muito ansioso, houve problemas no sexo - explica Mendes. - O Zé sabe que precisa montar, mas não o que fazer depois. É algo que só pode ser resolvido com o tempo. Considerando o tamanho dele, não há como nós lhe ensinarmos.

Até o fim do verão, Zé terá pela frente apenas mais um cio de Trina - três $cinco dias em que a fêmea estará receptiva. Se conseguir engravidá-la, o casal será mais uma vez separado: o macho, ao perceber a gestação, pode atacar a companheira - e, quando nascem os filhotes, até tenta comê-los. A fêmea, a partir daí, dedica-se exclusivamente à cria. Só depois de três anos ela voltará a entrar no cio.

Se fracassar em sua nova missão, Zé passará as próximas estações no departamento médico.

- Vamos coletar seu sêmen. Talvez seus distúrbios comportamentais tenham afetado, ou até interrompido, a produção de espermatozoides - cogita Balthazar. - Mas talvez o Zé consiga copular ainda este verão. Ele tem que aprender que não pode ter sexo a qualquer hora. É só quando a fêmea quer.

Zé Colmeia: O Filme - Trailer Teaser (dublado)




Renato Grandelle
O GLobo

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Chuva no Rio de Janeiro: cão é retirado vivo após 3 dias sob escombros

Bombeiros já resgataram nesta sexta-feira (9) dois cachorros com vida dos escombros no Morro do Bumba, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Para as equipes que trabalham no local, os resgates renovaram as esperanças de encontrar sobreviventes  e serviram de motivação para os bombeiros que atuam na região.


O cachorro Nick foi o primeiro a ser resgatado, após ficar três dias sob os escombros no Morro do Bumba (Foto: Tássia Thum/G1)
Nick, o primeiro cachorro a ser retirado, sobreviveu após ficar três dias embaixo dos escombros. O resgate emocionou bombeiros e o seu dono, o gerente de RH Bruno Lemos.

O dono disse que  também espera encontrar com vida seus cinco parentes, que continuam soterrados após o deslizamento. Ele também perdeu o tio, que já teve o corpo encontrado na quarta-feira (7).

Fonte: G1

quinta-feira, 2 de abril de 2009

No Rio, cães são municipais; gambás, federais, e marimbondos, estaduais


                 Um gambá passeia por condomínio na Barra da Tijuca,                     na Zona Oeste (Foto: Luiz Marcos / Arquivo Pessoal)
Um gambá passeia por condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste (Foto: Luiz Marcos / Arquivo Pessoal)

Quase todo mundo conhece alguma simpatia dos tempos da vovó para evitar visitas indesejáveis. Mas, quando essa visita pertence ao mundo animal, como marimbondos, abelhas, gambás, cobras e jacarés, dificilmente pôr uma vassoura de cabeça para baixo atrás da porta dá certo. Porém, o mais complicado é saber a quem pedir socorro, até porque para não pagar mico, dependendo da espécie, o trabalho pode ser da alçada municipal, estadual ou federal.

Nem pense em usar a tal vassoura que ficou atrás da porta para dar cabo do visitante. Além de não ser educado nem politicamente correto, pode ser perigoso. Segundo o veterinário e diretor técnico da Fundação Rio-Zoo, Victor Hugo Amoroso de Mesquita, o animal – independentemente do tamanho - pode se sentir ameaçado e, uma vez, acuado, tende a atacar o agressor. Além do mais, matar qualquer espécie da fauna brasileira é crime ambiental.

“Em caso de invasão de animais, o ideal é chamar o Corpo de Bombeiros ou a Patrulha Ambiental. Eles têm equipamentos e são preparados para fazer o recolhimento dos bichos. Eles sabem evitar acidentes como picadas e mordidas e sabem para onde eles devem ser levados. Os zoológicos, assim como institutos de pesquisa, como o Vital Brazil não fazem recolhimento de animais”, explicou Mesquita.


                 O recolhimento de abelhas tem de ser feito por um                     apicultor particular (Foto: Reprodução da TV)
O recolhimento de abelhas tem de ser feito por um apicultor particular (Foto: Reprodução da TV)

De acordo com a assessoria do Corpo de Bombeiros, somente os chamados para invasão de abelhas não são atendidos pela corporação. Nesses casos, o problema exige uma solução particular: a chamada de um apicultor. Com roupas e material apropriados eles recolhem os insetos e levam para um apiário.

“De resto, os bombeiros podem ser chamados para resgatar e recolher qualquer tipo de animal. De baleia a marimbondo. O Grupamento de Busca e Salvamento (GBS) faz esse trabalho”, afirmou o subtenente Leandro, da assessoria de comunicação da corporação.

Resgate pode ser municipal ou estadual

Geralmente, as invasões do mundo animal começam no âmbito municipal. São insetos, répteis, aves ou pequenos mamíferos que saem de locais de mata para procurar abrigo ou alimentos ao redor das residências na cidade.

O caso se mantém na esfera municipal, se o recolhimento for feito pela Patrulha Ambiental, ligada à Secretaria municipal de Meio Ambiente. Mas o bicho passa a ser um problema do estado, se o resgate for realizado pelo Corpo de Bombeiros.


                 Jacarés, encontrados em canal no Recreio dos                     Bandeirantes são recolhidos por bombeiros e levados                     para centro de triagem do Ibama (Foto: Reprodução da TV)
Jacarés, encontrados em canal no Recreio dos Bandeirantes são recolhidos por bombeiros e levados para centro de triagem do Ibama (Foto: Reprodução da TV)

O estado, através do Corpo de Bombeiros, foi o salvador da dona-de-casa Maria de Lourdes Esteves de Oliveira, moradora de Botafogo, na Zona Sul. Há tempos ela vinha sofrendo com o ataque de marimbondos, que construíram sua casa nas folhas de uma palmeira que fica em frente à sua janela.

“Mesmo com a janela fechada o tempo todo, cheguei a ser picada algumas vezes. Não sabia mais o que fazer. Os bombeiros fizeram um trabalho muito eficiente e retiraram a casinha de marimbondo da palmeira”, contou a moradora.

Segundo os Bombeiros, cães e gatos lideram as estatísticas de recolhimento no Rio. Normalmente, são bichos que foram abandonados nas ruas por terem se tornado agressivos. Nesses casos, o destino deles é de responsabilidade municipal, já que são levados para o Centro de Controle de Zoonoses, da prefeitura.


Sob responsabilidade da União


Animais silvestres, como gambás, micos, jacarés, gaviões por determinação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) devem ser levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres, que fica no município de Seropédica, na Baixada Fluminense.

Como o Seropédica não é muito perto, é comum que os bichos sejam levados para um outro município mais próximo, ou seja, para o Jardim Zoológico de Niterói, na Região Metropolitana.

“Os bichinhos recolhidos sempre chegam machucados, assustados ou debilitados. Cuidamos de todos eles. Quando sabemos a origem deles, depois de tratados fazemos um trabalho de reintrodução no habitat natural deles”, informou a diretora presidente do zoológico de Niterói, Gilseda Candiotto.


                 Os pinguins são de responsabilidade da União: sob                     orientação do Ibama viajam em aviões da FAB ou                     navios da Marinha de volta ao Rio Grande do Sul                     (Foto: Divulgação/ Zoológico de Niterói)
Os pinguins são de responsabilidade da União: sob orientação do Ibama viajam em aviões da FAB ou navios da Marinha de volta ao Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ Zoológico de Niterói)


No caso dos estrangeiros pinguins capturados em praias fluminenses, cabe à união decidir o destino deles. Ou seja, como destaca Giselda, depois de tratados essas aves marinhas, sob orientação do Ibama, são transportadas em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) ou navios da Marinha para serem soltas no mar, no Rio Grande do Sul.

Venenosos ficam com o estado

Até os animais peçonhentos, como cobras, aranhas, lacraias e escorpiões devem ter um destino nobre sob a responsabilidade do estado. Embora o impulso de usar a vassoura contra eles seja grande, o ideal é recolhê-los com cuidado para não ser envenenado e encaminhá-los ao Instituto Vital Brazil. Segundo o biólogo e chefe do serpentário, Cláudio Machado, esses bichinhos esquisitos ficam na instituição para a produção de soro. O instituto tem atualmente cerca de 500 serpentes.

“Matar uma cobra, uma aranha ou um escorpião não é solução. Se o bicho está ali é porque há algo errado no habitat dele. E ele encontrou um ambiente propício com abrigo e alimento ao redor da casa. Se não der para esperar os Bombeiros, deixe que ele vá embora”, aconselha Machado.

Fonte: G1

30 Curiosidades sobre Cobras

30 Perguntas e Respostas sobre Cobras  Fontes: ypedia.com.br, rotasdeviagem.com.br, bombeiros.ce.gov.br, ufsm.br, cobasi.com.br, peritoanima...