sexta-feira, 18 de abril de 2008

Camundongos: fêmea reconhece macho meia-boca pelo cheiro, diz

Vídeo: Hamster Lovin



Fêmea de camundongo reconhece macho meia-boca pelo cheiro, diz estudo
Roedoras usam proteínas da urina para identificar parceiros com pouca variação genética.
Variabilidade no DNA é característica-chave para garantir prole saudável, segundo teoria.

Os seres humanos apanharam um bocado para aprender a "ler" o DNA dos seres vivos, mas as fêmeas de camundongo parecem ter dominado facilmente os rudimentos da prática -- com o melhor dos motivos, claro: sexo. Pesquisadores britânicos descobriram que as roedoras conseguem detectar, só com o cheiro, os machos que têm variabilidade genética mais baixa, e tendem a ficar longe deles.

Para ser mais exato, as fêmeas são capazes de detectar a variação no DNA correspondente a uma substância na urina dos parceiros, o que já é suficiente para estimarem a variabilidade no resto do genoma dos machos. É a primeira vez que essa capacidade de "análise genômica" direta é descoberta numa espécie animal.


Por que diabos as roedoras estariam interessadas em análise de DNA? Certamente não é que elas estejam interessadas em pedir pensão para os machos irresponsáveis. É que a variabilidade genética dá mais opções ao organismo de um animal na era de enfrentar doenças e outras variações ambientais. Bichos geneticamente muito homogêneos tendem a ser mais frágeis a esses fatores e, de quebra, produzem filhotes que acumulam genes nocivos em seu DNA.


Incerteza derrubada
Até hoje, não se sabia se a detecção da variabilidade genética era apenas indireta, ou seja, as fêmeas observavam os machos mais vigorosos e deduziam quais eram os mais diversos geneticamente com base nessa característica. Para tirar a prova, Michael D. Thom e seus colegas da Universidade de Liverpool e da Universidade de Manchester criaram camundongos cuja única variabilidade significativa estava nos genes que contêm a receita para a produção das chamadas MUPs (sigla de "proteínas urinárias principais"). Como diz o nome, tais proteínas estão presente na urina e são facilmente detectadas pelo olfato dos bichos.

Alguns machos tinham genes homogêneos para a produção de MUPs (seu organismo só fabricava um tipo dessas proteínas), enquanto outros tinham cópias variadas desses genes oriundas do pai e da mãe, produzindo dois tipos diferentes de MUPs. O teste foi simples: ver com que tipo de macho as fêmeas preferiam interagir.

O resultado foi claro: as fêmeas passavam muito mais tempo no território dos machos de DNA "diversificado". Embora o acasalamento não tenha sido medido diretamente, os pesquisadores acham que se trata de um sinal claro da preferência das fêmeas por eles.


A pesquisa está na revista científica "Current Biology".
Fonte: G1

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