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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Olinguito. Descoberta nova espécie de bicho carnívoro

Nova espécie de carnívoro descoberto na América do Sul
Olinguito, Bassaricyon neblina, é o primeiro encontrado na natureza em 35 anos

Na natureza, em museus ou até mesmo em zoológicos da América do Sul e do Norte, uma espécie passou mais cem anos despercebida. Mas cientistas do Instituto Smithsoniano, em buscas de campo, finalmente conseguiram definir que trata-se de um achado: o olinguito (Bassaricyon neblina), primeiro carnívoro descoberto no Ocidente em 35 anos. A descoberta foi publicada nesta quinta-feira na revista “ZooKeys”.

O olinguito parece resultado de um cruzamento entre um gato doméstico e um ursinho de pelúcia. É o mais recente membro cientificamente documentado da família Procyonidae, da qual fazem parte os guaxinins, quatis, juparás e olingos. O olinguito tem dois quilos, olhos grandes e pelo marrom alaranjado. É nativo de florestas úmidas da Colômbia e do Equador. Além de ser o mais recente membro descrito de sua família, o olinguito também é a mais novo carnívoro do século 21.

‘O mundo ainda não está completamente explorado’
- A descoberta do olinguito nos mostra que o mundo ainda não está completamente explorado, seus segredos ainda não foram revelados - disse Kristofer Helgen, curador do Museu Nacional de História Natural dos EUA e coordenador da equipe que registrou a descoberta. - Se novos carnívoros ainda podem ser encontrados, que outras surpresas nos aguardam? Muitas espécies do mundo ainda não são conhecidas pela ciência. Documentá-las é o primeiro passo para a compreensão de toda a riqueza e diversidade da vida na Terra.

A descoberta de um novo carnívoro, no entanto, não é algo simples. Esta levou uma década, e não era o objetivo original do projeto. A equipe de Helgen queria entender quantas espécies olingo eram reconhecidas e como essas espécies estavam distribuídas, questões que ainda não estavam claras para os cientistas. Inesperadamente, um exame atento de 95% de espécimes de olingo presentes em museus, juntamente com o teste de DNA e análise de dados de campo, revelaram a existência do olinguito, uma espécie não descrita anteriormente.

Descoberto nos Andes
A primeira pista veio dos dentes e do crânio do olinguito, que eram menores e com forma diferente do que os de olingos. Registros de campo mostraram que ele aparecia numa única área do norte da Cordilheira dos Andes, entre cinco mil e nove mil metros acima do nível do mar - elevação muito maior do que a conhecida de espécies de olingo. Esta informação, no entanto, estava vindo de espécimes de olinguito negligenciadas coletadas no início do século 20. A questão de Helgen e sua equipe em seguida foi: o olinguito ainda existe na natureza?

Para responder a essa pergunta, Helgen convidou Roland Kays, diretor do Laboratório de Biodiversidade e Observação da Terra do Museu Natural de Ciências da Carolina do Norte.
- Os dados das antigas espécimes nos deu uma ideia de onde procurá-lo, mas ainda parecia um tiro no escuro - disse Kays.

Expedição rumo ao desconhecido
A confirmação da existência do olinguito veio por meio de alguns segundos de um vídeo granulado feito por Miguel Pinto, um zoólogo no Equador. Em seguida, Helgen e Kays partiram numa expedição em busca do animal e encontraram olinguitos numa floresta nas encostas dos Andes. Passaram dias documentando tudo sobre o animal. Eles notaram que a olinguito é mais ativo à noite, é principalmente um comedor de frutas, raramente sai das árvores e tem um bebê de cada vez.

A equipe também ressaltou que seu habitat está sob forte pressão do desenvolvimento humano. A equipe estima que 42% da área já foram tomadas pela agricultura ou construções.

Embora seja novo para a ciência, o olinguito já é conhecido local. Mesmo sem identidade definida, ele já aparece em amostras de museus há mais de cem anos e até em jardins zoológicos nos Estados Unidos nos anos 1960 e 1970.

- Este é o primeiro passo - disse Helgen sobre o batismo científico. - É um belo animal, mas sabemos muito pouco sobre ele. Em quantos países vive? O que mais podemos aprender sobre o seu comportamento? O que faremos para assegurar a sua conservação?

oglobo.globo.com

Um estudo sobre uma família de animais carnívoros revelou por acidente a existência de uma nova espécie, descrita como uma "mistura de gato doméstico com urso de pelúcia".

A descoberta dos pesquisadores do Instituto Smithsonian, dos Estados Unidos, é o primeiro registro, em 35 anos, de um novo animal carnívoro no mundo Ocidental, destaca artigo publicado nesta quinta-feira (15) no periódico Zookeys, um dos mais importante de taxonomia do mundo.

Batizado de Olinguito (Bassaricyon neblina), o animal foi descoberto a partir de investigação feita ao longo de dez anos no acervo de diversos museus de história natural sobre a família dos olingos, um clã composto por diversas espécies de animais de hábitos carnívoros e habitantes da copa de árvores.
O intuito original do estudo era mapear as espécies de olingos existentes e ver sua distribuição pelo mundo, mas a equipe foi surpreendida pela descoberta do novo animal, anteriormente registrado por engano como pertencente a outra espécie.

A principio a comparação de registros de diferentes animais da família dos olingos rendeu pistas da existência do Olinguito, cujos dentes e crânio diferiam das outras espécies catalogadas. Posteriormente, exames de DNA comprovaram a suspeita e a existência do animal foi finalmente comprovada e documentada em expedição nas florestas da América Latina.

A descoberta do Olinguito nos mostra que o mundo ainda não foi completamente explorado, com segredos básicos a serem revelados", diz Kristofer Helgen, curador de mamíferos para o Museu de História Natural do Instituto Smithsonian.

"Se novas espécies carnívoras ainda são descobertas, que outras surpresas nos aguardam? São tantas espécies que ainda são desconhecidas para a ciência que documentá-las é o primeiro passo rumo ao entendimento da riqueza e diversidade da vida na Terra."

O time de pesquisadores descreve o Olinguito como sendo próximo das espécies de guaxinim e quati, com peso inferior a 1 quilo, com grandes olhos e pelagem marrom-alaranjada. Ele é habitante de matas cada vez mais ameaçadas pelo homem, especialmente na Colômbia e no Equador, e tem hábitos primordialmente noturnos, alimentando-se basicamente de frutas, mas também de néctar e pequenos insetos. Ao parir, o animal da à luz somente um filhote por gestação.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Espécie 'perdida' de morcego é descoberta

Cientista britânica descobre espécie 'perdida' de morcego
Fêmea de morcego marrom de orelhas longas é achada em área onde espécie não era vista há 40 anos.
Da BBC

O exemplar do morcego-pipistrela, uma fêmea
grávida (Foto: Fiona Mathews / Universidade de
Exeter )
Uma bióloga da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha, descobriu nas ilhas Scilly, a oeste do País de Gales, uma espécie de morcego considerada 'perdida'.

Fiona Mathews encontrou um exemplar do morcego-pipistrela, uma fêmea grávida- a primeira da espécie encontrada na ilha nos últimos 40 anos.

'Ficamos surpresos e felizes ao encontrar este morcego marrom de orelhas compridas, e particularmente animados com o fato de que é uma fêmea esperando um filhote, pois sugere que existe uma colônia se reproduzindo', afirmou a bióloga.

Morcegos da espécia tinham sido vistos pela última vez nas ilhas Scilly na década de 60.
Conhecidos também como 'morcegos sussurrantes', estes animais usam suas orelhas longas para captar sons de lagartas e outros insetos dos quais de alimentam.

Devido ao fato de voarem apenas quando está muito escuro, e de os sons que emitem serem baixos demais para serem captados por aparelhos, estes morcegos são praticamente impossíveis de serem detectados por métodos tradicionais de pesquisa.

E a espécie vive em áreas de florestas, que são escassas nas ilhas Scilly.
Morcegos da espécia tinham sido vistos pela últimavez nas ilhas Scilly na década de 60 (Foto: Fiona
Mathews / Universidade de Exeter)



Pinheiros
Mathews conta que a fêmea foi encontrada em um 'velho pinheiro Monterey, plantado na costa para proteção contra o vento, e se alimentando em uma longa avenida de olmos'.

'Agora que sabemos que os morcegos estão lá, organizações conservacionistas locais podem começar a melhorar o habitat para eles', diz Mathews. Ela afirma que será preciso adotar medidas como o plantio de árvores que atraiam insetos noturnos e a restrição da iluminação em algumas áreas das ilhas.

Segundo Mathews, as autoridades das ilhas precisam fornecer locais apropriados para reprodução dos animais.

'Pelo fato de não construírem ninhos, as mães precisam encontrar lugares que vão manter seus filhotes quentes durante a noite, enquanto os adultos vão se alimentar. Eles podem usar sótãos (em casas) ou caixas, além de buracos em árvores.'

A bióloga lembra que a última colônia destes morcegos desapareceu devido à intervenção humana em seu habitat.

'A última colônia conhecida nas ilhas Scilly desapareceu quando o local onde eles ficavam, em um prédio, desapareceu e agora nós temos uma chance de reverter o destino (dos morcegos)', afirmou.

domingo, 12 de dezembro de 2010

As 9 mais belas e estranhas espécies descobertas na última década


O fechamento de uma década que apontou para muitas novas espécies de plantas e animais que, até então, eram desconhecidas pelos humanos. Confira as mais belas e estranhas espécies descobertas na última década e escolha a sua preferida:

1. A grande água-viva vermelha


A Tiburunia granrojo vive a 3 mil metros de profundidade, no Oceano Pacífico. E ela não é chamada de “Grande” ou “Gigante” a toa – ela tem um metro de largura! Ela não tem tentáculos, como a grande maioria das águas-vivas, mas sim pequenos braços, mais largos, que capturam o alimento – embora os cientistas ainda não saibam qual é, exatamente, esse alimento.

2. Phobaeticus chani


É um grande inseto em forma de palito. Foi encontrado no Parque Gunung Kinabalu, em Bornéu, e tem cerca de 50 cm de comprimento (o que dá a ele o título de inseto mais longo do planeta). Além do seu tamanho, os cientistas ainda não conhecem mais nenhuma peculiaridade sobre ele.

3. Rhyncocyon udzun


Descoberto em 2006, essa espécie de tamanduá é nativa da Tanzânia. Ele tem, aproximadamente, o tamanho de um coelho.

4. Tubarão-bambu


O Hemiscllium galei foi encontrado nas águas da Indonésia em 2006, em uma área de corais, com muita biodiversidade. Apesar de poder nadar sem dificuldade, normalmente ele se movimenta usando suas nadadeiras como pequenas pernas, andando no fundo do oceano.

5. Phragmipedum kovachii


Essa enorme orquídea foi encontrada em 2001, sendo vendida na estrada do Perú para um comerciante que, ilegalmente, levou a espécie para os Estados Unidos. Ele foi processado, mas a orquídea leva seu nome “Kovachii”. As flores chegam a ter 20 centímetros de largura.

6. Kipunji


O Rugwecebus kipunji é uma espécie de macaco que foi descoberta em 2003, na região da Tanzânia. Cientistas entrevistavam os habitantes locais sobre a floresta e muitos comentaram sobre um “kipunji”. Quando encontraram o macaco consideraram ser uma nova espécie, mas análises do DNA do animal mostraram que ele pertence a um gênero completamente diferente.

7. Nephentes palawanensis


Essa planta gigante foi descoberta nas Filipinas, em uma montanha chamada “o Morro do Sultão”. Ela, assim como muitas “colegas” é chamada de planta “jarro”, porque seu formato faz com que ela fique cheia de água. E o receptáculo também serve para capturar insetos – presas que caiam ali dentro dificilmente podem sair, já que as paredes do jarro são muito escorregadias.

8. Cyrtodactylus macrotuberculatus



Essa salamandra foi descoberta em 2008, na Malásia. Tem uma visão extremamente aguçada, que permite que ela capture presas à noite. Mas o que é mais incrível é que há duas versões da mesma salamandra – a que vive em florestas e a que vive nas cavernas. Elas são o mesmo tipo de salamandra, porém apresentam algumas diferenças visíveis, o que faz os cientistas acreditarem que elas evoluíram para se adaptar aos ambientes em que vivem.

9. Preguiça pigméia


A espécie foi descoberta na costa do Caribe. A espécie está isolada na ilha há 9 mil anos, quando os níveis do mar subiram e fizeram com que elas fossem separadas de animais que, hoje, são muito diferentes delas. Elas tem metade do tamanho de uma preguiça normal e só há 200 exemplares na ilha. [BBC]

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Extinção das espécies brasileiras. Problema pode ter começado muito antes da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.



No fim de 2000, uma ararinha-azul macho que vivia livre na natureza sumiu de Curaçá, no sertão baiano. Foi o ato derradeiro de uma luta que ecoou muito além dos limites do semiárido nordestino. A menor entre as araras brasileiras, de nome científico Cyanopsitta spixii, era uma sertaneja forte, de asas longas, com voo sofisticado e econômico de energia, adaptada ao ralo alimento encontrado no semiárido. No entanto, essa espécie evoluída em termos adaptativos era bela demais, e não forte o bastante, para resistir à predação humana.

Extinções sempre existiram, pelo menos há 3 bilhões de anos quando teve início a vida no planeta. A grande maioria das espécies que surgiram não está mais aqui. E a biodiversidade que conhecemos é resultado de complexa teia de seleção de espécies mais bem adaptadas a cada condição natural. O ser humano provocou mudanças sem precedentes na trajetória da vida. Em alguns milhares de anos, ele conquistou todos os continentes, dotado de um poder destrutivo comparável aos fenômenos responsáveis pelas extinções em massa no passado remoto - a exemplo do súbito desaparecimento dos dinossauros.

Quanto já extinguimos? "Os biólogos acham difícil apresentar sequer uma estimativa aproximada da hemorragia, porque, para começar, sabemos pouquíssimo sobre diversidade. Extinção é o processo biológico mais obscuro e localizado", explica o naturalista americano Edward Wilson. E arrisca: "A atividade humana aumentou a extinção em mil e 10 mil vezes(CONFUSO) além desse nível [o nível natural] nas florestas tropicais apenas pela redução de sua área. Claramente estamos vivendo um dos grandes espasmos de extinção da história geológica".

A ararinha-azul foi dizimada pela avidez dos traficantes de pássaros, estimulados por colecionadores que chegavam a pagar até 40 000 dólares por um único espécime. Como no processo econômico de oferta e demanda, o valor inflacionou à medida que a ave rareava. Em 1995, pesquisadores chegaram a soltar no sertão uma fêmea nascida em cativeiro. Mas o tão esperado acasalamento nunca aconteceu.

Após o sumiço do macho de Curaçá, a guerra passou a ser travada em cativeiro. O objetivo é parear os cerca de 70 exemplares existentes mundo afora, "contemplando o máximo de diversidade genética possível", informa a bióloga Yara Barros, coordenadora de cativeiro do Comitê Permanente para Recuperação da Ararinha-Azul, vinculado ao Instituto Chico Mendes. "O desafio para os próximos anos é aumentar a população em cativeiro para, no futuro, tentar a soltura na natureza." Uma questão crucial é se as matrizes existentes ainda poderão dar conta de manter uma população viável. "Infelizmente, isso é o que temos", resigna-se Yara. Além da herança genética, há os aspectos de conhecimento e aprendizagem que passam de pai para filho, como busca por alimento e técnicas de proteção contra predadores. Se a espécie retornar de fato ao ambiente, esses hábitos deverão ser reaprendidos.

O impacto da ação humana no Brasil pode ser bem mais antigo que o desembarque da esquadra de Cabral há 500 anos. Na realidade, o ser humano chegou à América do Sul há pelo menos 12 mil anos, e os primeiros grupos que povoaram os campos no continente conviveram com uma fauna estranha aos dias atuais. Os caçadores nômades foram atraídos pela fartura de grandes mamíferos, como preguiças, tatus gigantes, e outros animais, como elefantoide, toxodonte e esmilodonte - alguns maiores que bois. A chegada do ser humano coincidiu com a súbita extinção dessa megafauna, o que sugere uma associação entre os dois eventos. Os homens teriam se fartado tanto com a abundância quanto com a facilidade de caça, sem dar conta do extermínio. É apenas uma hipótese, mas pode ter sido o prenúncio do que estava por vir.

Até os portugueses aportarem, não há indícios de nenhum evento de impacto tão profundo como o extermínio da megafauna - várias espécies teriam sido extintas logo no começo da colonização. Segundo relata o historiador Warren Dean, o cronista Fernão Cardim havia descrito uma ave de penas de "quase todas as cores em grande perfeição, a saber, vermelho, amarelo, preto, azul, pardo, cor de rosmaninho, e de todas estas cores tem o corpo salpicado e espargido", que não corresponderia a nenhuma espécie encontrada nos dias atuais.

O resultado é que o Brasil é hoje o segundo país em número de espécies ameaçadas. Está atrás apenas da Indonésia, de acordo com a Fundação Biodiversitas - entidade encarregada da lista vermelha de espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção que segue metodologia da União Mundial para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). De acordo com o último levantamento, existem 627 bichos ameaçados no Brasil, contra os 207 relacionados em 1989. Há sete espécies extintas definitivamente e duas extintas na natureza. "Em 1989, participaram do levantamento 22 especialistas; já em 2003 [data da última pesquisa realizada] foram 227 pessoas", explica Rafael Thiago, da Biodiversitas. "As descobertas de novas espécies e as pesquisas aumentaram; porém, ainda conhecemos bem pouco sobre nossa fauna. Mas as pressões também se tornaram mais agudas", diz. Embora imperfeitas, as listas ajudam a subsidiar políticas públicas de conservação, a fomentar a pesquisa e o manejo, e até estimulam a criação de unidades de conservação.

Não fosse uma espécie vistosa, o desaparecimento da ararinha-azul sequer teria sido registrado. As araras fascinam. Foram os bichos mais perseguidos durante a formação do Brasil, e serviam de símbolo para identificar a colônia nos mapas, com diz a legenda: "Brasilia sive terra papagallorum". Espécies exuberantes tanto atraem a cobiça de caçadores, como são capazes de sensibilizar as pessoas sobre a importância de conservá-las na natureza. E a bandeira levantada em favor de sua proteção, quando bem articulada, ajuda a proteger o bioma em que ela está inserida. É uma estratégia conservacionistas. É assim com a onça-pintada, com as baleias franca e jubarte, com outras araras; com o peixe-boi, com os primatas de forma geral e com as tartarugas-marinhas: são bichos que representam a natureza brasileira e catapultam os esforços para conservá-la.

É o caso do mico-leão-dourado, diminuto primata endêmico das florestas de baixada da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. A ação de traficantes de animais, associada ao desmatamento, reduziu a população a cerca de 250 indivíduos, em meados da década de 1960. Foi quando o alarme soou, graças à voz quase solitária do primatólogo Adelmar Faria Coimbra Filho, integrante da pioneira Fundação Brasileira da Conservação da Natureza (FBCN), cujos estudos culminaram na criação da primeira reserva biológica no país, a de Poço das Antas, em 1974. Mas a área da reserva não era suficiente para abrigar uma população viável de micos, que precisariam de fragmentos da floresta dos arredores em propriedades particulares. Sem áreas conectadas, as populações se isolariam.

Avançar as áreas florestadas para dentro das fazendas implicava romper paradigmas, como lembra a atual coordenadora do projeto Denise Rambaldi, laureada no ano passado com o Prêmio Liderança em Conservação na América Latina, da National Geographic Society. "A primeira pergunta que o fazendeiro faz é sobre o custo de oportunidade: 'Quanto eu vou perder de pasto?' Mas nós procuramos pegar pelo lado emocional, embora hoje em dia já tentamos remunerá-los, pondo as terras nos mecanismos de compensação com créditos de carbono", explica ela. Foram longos processos de negociação, e os fazendeiros envolveram-se a tal ponto que a Associação Mico-Leão-Dourado, criada em 1992 para gerir o projeto, tem hoje um como presidente. E Poço das Antas ganhou em seu entorno 17 áreas protegidas na modalidade Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), criadas por iniciativa dos próprios fazendeiros.

Sob os auspícios do pequeno mico, cuja população na natureza, no fim de 2007, somava 1,6 mil indivíduos, a Mata Atlântica como um todo se beneficiou. "O mico-leão-dourado mudou de status na lista global de espécies ameaçadas, passou de 'criticamente ameaçado' para 'ameaçado'", diz Denise. Para se ver livre do risco de extinção, deverá haver, segundo modelos matemáticos, pelo menos 2 mil indivíduos na natureza até 2025, em uma área contínua de 25 mil hectares.

Transformações culturais estão na espinha dorsal de qualquer plano para salvar espécies, mas, quando o imperativo econômico fala alto, se erguem barreiras espinhosas. O drama da onça-pintada é emblemático. Segundo o biólogo Tadeu Gomes de Oliveira, no fim dos anos de 1960, matavam-se 15 mil onças por ano - somente pelos dados oficiais de exportação de peles. Apesar da proibição, em 1967, de se comercializar essas peles, matar onça ainda faz parte do cotidiano em muitos grotões no Brasil.

O Pantanal Mato-Grossense é um dos últimos refúgios desse grande mamífero. Mas por onde o gado de corte se espalha o embate é feroz. Algumas iniciativas tentam conciliar a atividade de pecuária com a sobrevivência do bicho. É o caso do projeto comandado pelo biólogo Peter Crawshaw nos arredores de Corumbá. "Iniciamos o pastoreio noturno com trator. Quando o tratorista percebe que o gado está inquieto, ele solta rojões na direção do mato", explica. "Isso tem diminuído muito a predação. O próprio gado se dá conta de que o trator é uma proteção, e fica próximo a ele." Os rojões afugentam a onça. Um alerta de que ali é o território do bicho homem. Pantaneiros forjam assim um acordo de boa convivência com as onças. Bom para ambos. Pois bichos e gente, como estamos aprendendo a duras penas, são partes do mesmo todo.

Jacutinga
Como todas as espécies de animais, as aves que vivem no bioma mais devastado são as mais ameaçadas de desaparecer. E a Mata Atlântica, em que sobrou apenas 7% de sua composição original, é o hábitat de bichos em maior perigo de extinção. Principalmente os endêmicos, como a jacutinga (ao lado), que sofre também por se alimentar do coco do palmito juçara, uma planta igualmente ameaçada em razão da ação de palmiteiros ilegais. A destruição do hábitat também é a ameaça ao pato-mergulhão (abaixo) - antes visto facilmente em rios da serra da Canastra e regiões montanhosas de Minas Gerais. O mesmo ocorre com animais endêmicos de regiões da Amazônia, como o cada vez mais raro mutum-de-penacho (abaixo, à direita). A ave vive nas regiões do leste do Pará e Maranhão, justamente uma das partes mais ameaçadas do bioma, situada no arco do desmatamento.

O desaparecimento de espécies que constituem a base da cadeia alimentar desequilibra todo o ecossistema. O sumiço de um anfíbio, por exemplo, pode ter um efeito dominó devastador na alimentação de várias espécies de vertebrados. O mesmo ocorre com os insetos e a flora, como briófitas, pteridófitas e bromélias. As mudanças climáticas e a poluição atingem primeiro esses seres mais sensíveis, que são indicadores das mudanças que ocorrem no planeta. Por isso tem sido verificado o desaparecimento de sapos e anfíbios, mas que agora está sendo agravado pela ação do fungo quitrídia. Já os peixes, no país que possui a maior quantidade de água doce do mundo, equilibriam os rios, que por sua vez hidratam as matas. Mas a cadeia de pesca desregulada coloca em risco a fauna aquática. E o equilíbrio advindo dela, como o controle da proliferação de pragas e insetos na beira de rios.

Encontrar hoje um cachorro-do-mato-vinagre (à direita) na natureza é como ganhar na loteria - ao menos para um fotógrafo de natureza. Mas trata-se de um prêmio a ser comemorado com parcimônia, tal é a vulnerabilidade da existência dessa espécie. Ele nunca foi caçado por interesse econômico, em razão de sua bela pelagem, como ocorreu até os anos 1960 com a jaguatirica (abaixo) e outros felinos. No entanto, é a destruição do hábitat a maior ameaça a sua existência. O mesmo ocorre com a maioria dos mamíferos que habitam o território brasileiro.

Jaguatirica
Constar nas listas de espécies ameaçadas é o primeiro passo que dá início a uma série de ações que visam impedir a extinção do animal. Para isso, o Ibama e a Fundação Biodiversitas produzem um documento técnico sobre a situação de perigo de desaparecimento de cada animal. Foi dessa forma que o peixe-boi (abaixo, à direita) começou a receber proteção especial de pesquisas e recursos no litoral do Nordeste e na Amazônia para sobreviver.

Fonte: viajeaqui.abril.com.br/national-geographic

Por Marcelo Delduque

sábado, 28 de agosto de 2010

Top 10 incríveis animais híbridos

Criamos uma lista sobre os 10 animais híbridos. Os animais híbridos são resultados de cruzamentos entre duas espécies distintas mas pertencentes ao mesmo gênero ou seja têm genética genética similar. Elas existem principalmente em cativeiro e são o resultado da intervenção humana.


10. Ligre e Tigron
Apesar de serem animais fascinantes, que recebem os últimos da lista, porque são os mais popular conhecido entre os híbridos. Ligres são mestiços entre um leão macho enquanto Tigrons são cruzados entre um tigre macho e uma leoa. Ligres são os maiores felinos do mundo. Tigrons por outro lado, são propensas para nanismo (nanicos) e são geralmente menores do que qualquer um de seus pais. Os machos Ligres / Tigrons são estéreis, enquanto as fêmeas são geralmente férteis. Abaixo mostra um ligre e seu treinador Dr. Bhagavan Antle em Renaissance Festival em Massachusetts, E.U.A., outubro de 2005.

copyright, Andy Carvin
copyright, Andy Carvin


9.Cão-Lobo
Cães e lobos tendem a se cruzar livremente. O lobo é um animal tímido, dependendo da nuances da linguagem corporal, expressão facial e nas habilidades de caça para sobreviver. Suas garras são muito mais fortes do que as de um cão e muitas vezes são usados para exercer uma posição dominante. Para um híbrido de cão e lobo, não se sabe quando ele irá exibir um comportamento de lobo ou cão ou algo intermediário. Treinamento de obediência é essencial para domesticar o animal.


8. Porcos de Tamworth (Idade de Ferro Gusa
Porcos domésticos de Tamworth são cruzamernto de porcos selvagens para criar 'Porcos da Idade do Ferro. Os híbridos são mais domesticáveis que os  porcos selvagens,  mas menos tratáveis que suínos domésticos e geralmente tornam-se salsichas especiais de porcos. A maioria deles são criados para o comércio de carne especialista.

7. Zebroides
"Egüebra" ou "Zégua"   é o resultado da cruza de um cavalo e uma zebra fêmea. Um cebrallo ou zebralo é um híbrido de uma égua com um macho de zebra A zonkey é o resultado da cruza de um asno com uma zebra. O Zony é o resultado da cruza de um pônei com uma zebra. Todos esses três são chamados zebroides - definido como um cruzamento entre uma zebra e qualquer outro eqüino. Zebroides têm preferência sobre as zebras para uso prático como cavalgada devido à sua forma corporal. No entanto, é mais inclinado a ser temperamental e pode provar ser difícil de segurar.

Normalmente, as cruzas entre cavalos e zebras costumam resultar em animais com o corpo totalmente listrado.

Sabe-se que já na época colonial houve cruzamentos das duas espécies de Equidae na África, e até hoje a prática é comum. No Quênia, por exemplo, os animais são criados para passeios turísticos.

Nos Estados Unidos, os "zebralos"  (uma égua com um macho de zebra) são criados como hobby e para monta. Quase sempre, os pais são um garanhão zebra e uma égua, já que cavalos costumam ser mais dóceis que zebras.

Zorse

A zonkey
A Zony

6. Cama ou Rama
A Cama é um híbrido entre um camelo e uma lhama. Eles são concebidos via inseminação artificial devido à enorme diferença no tamanho dos animais que não permite reprodução natural. A Cama geralmente tem as orelhas pequenas e caudas longas de um camelo, mas a patas de uma lhama. Também mais notável é a ausência da corcova.
Pais da Rama é mostrado atrás, um camelo e lhama.
Esta é Rama o Cama com dois dias de idade.

Rama de dois anos de idade como jovem adulto.

Há 30 milhões de anos, apenas uma espécie de camelídeo vivia na Península Arábica. Por razões geográficas, geológicas e climáticas, alguns desses animais emigraram e chegaram na região da Cordilheira dos Andes, evoluindo até a espécie dos guanacos e dos lhamas. A outra parte permaneceu na Arábia e evoluiu até se tornar o atual camelo.

5. Urso Grolar, Pizzly
Um híbrido / Grolar Pizzly é o produto de um urso e um urso polar. Apesar de os dois ursos são geneticamente similares, eles tendem a evitar todos os outros na selva. Em 16 de abril de 2006, um urso híbrido morreu baleado por Jim Martell, um caçador dos Estados Unidos, no Canadá. Foi a primeira vez que um híbrido foi encontrado em estado selvagem, onde os registros anteriores de grolares ou pizzlies foram apenas encontrados em zoológicos.
A Grolar, Pizzly exibida no Museu Rothschild, Tring, copyright Sarah Hartwell


4. Leopon
Um  Leopon é o resultado da criação de um leopardo macho e uma leoa. A cabeça do animal é semelhante à de um leão enquanto o resto do corpo carrega similaridades de leopardos. O programa de criação de maior sucesso foi no Koshien Hanshin Park na Cidade de Nishinomiya, no Japão. Leopons são maiores que leopardos e gostam de escalar e aproveitar a água.
Um Leopon em um jardim zoológico.

3. Faisão Híbrido
O Faisão Dourado tem sido comumente cruzado com o Faisão similar Lady Amherst's. O resultado é um híbrido com cores distinto de seus pais.


Um Faisão Dourado


Um faisão Lady Amherst
Faisão híbrido mostrado no Rothschild Museum Copyright Sarah Hartwell


2. Wolphin.  Golfinho + Baleia = Wholphin
A wolphin é um raro híbrido do cruzamento entre um golfinho-fêmea da espécia Tursiops truncatus e uma baleia-macho da espécie Pseudorca crassidens. Existem atualmente apenas duas em cativeiro no Sea Life Park no Havaí. O tamanho de um wolphin, cor e formato são intermediários entre as espécies pai. O primeiro wolphin em cativeiro foi Kekaimalu, que mostra herança misturada até em seus dentes: golfinhos têm 88, a Pseudorca crassidens (falsas baleias assassinas) têm 44 e Kekaimalu tem 66!
Kekaimalu, O Wolphin

1. Ti-Ligre, Ti-Tigron, Li-Tigron, Li-Ligre (híbrido entre os híbridos)
O primeiro lugar vai para Ti-Ligre, Ti-Tigron, Li-Tigron, Li-Ligre porque é um híbrido entre os híbridos. É um híbrido entre um tigre macho e uma liger / tigon ou um leão macho com uma tigon / liger fêmea. Note que ligers feminino ou tigons são férteis. Eles são extremamente raros e são na sua maioria de propriedade privada dentro de um programa de estudos comportamentais. No caso dos ti-ligres, eles têm listras incomuns onde eles "quebram" e mostram uma aparência manchada. Uma vez que eles são 3 / 4 tigre, suas características inibem mais dessas de um tigre do que um leão.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Espécie rara de burro é produzida por inseminação artificial

Os dois filhotes nasceram entre junho e julho no centro de conservação de vida selvagem em Ohio (EUA)


Foto: AP
Os filhotes são as primeiros animais selvagens da família dos cavalos já produzidos por inseminação artificial

Pesquisadores conseguiram pela primeira vez produzir por inseminação artificial uma espécie rara de burro persa. Os dois animais exóticos, parecidos com cavalos, nasceram entre junho e julho passados, no centro de conservação de vida selvagem Wilds, no estado de Ohio, Estados Unidos. De acordo com comunicado, os filhotes foram resultado de estudo que envolveu especialistas de Wilds e do Instituto de Conservação Biológica Smithsonian, na Virgínia.

Mandi Vick, que coordenou o estudo, disse que o trabalho vai ajudar a salvar espécies eqüinas ameaçadas, como o burro selvagens, que se parece com burros e em muitos casos são conhecidos como asno selvagem asiático. De acordo com especialistas, menos de 700 burros selvagens restam em seu habitat no Irã.


Fonte: ultimosegundo.ig.com.br

domingo, 6 de junho de 2010

Pesquisa revela espécies novas e raras em florestas da Calha Norte, no PA


Divulgação celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho.
Pesquisadores percorreram a mata em expedições entre 2008 e 2009.
Após três anos de imersões para explorar a floresta amazônica na região da Calha Norte, no Pará, pesquisadores do Museu Emílio Goeldi e da ONG Conservação Internacional apresentaram, nesta semana, resultados inéditos sobre um território que ainda não havia sido estudado. Espécies novas, raras ou ameaçadas de extinção foram encontradas na área de 12 milhões de hectares, que corresponde a cerca de metade do tamanho do estado de SP.

A divulgação dos resultados das pesquisas celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, que ocorre neste sábado (5). As pesquisas envolveram estudo de campo na Estação Ecológica Grão Pará - a maior das reservas analisadas, com 4 milhões de hectares - e em unidades de conservação criadas pelo estado em 2006, como a Paru, a Faro e a Trombetas, além da reserva biológica Maicuru. 

Foto: MPEG/ Divulgação

Área estudada pelos pesquisadores fica próxima a países como Guiana Francesa, Guiana e Suriname.(Foto: MPEG/ Divulgação)

No total, os pesquisadores encontraram mais de 143 espécies distintas de peixes, 62 de anfíbios, 68 de répteis, 61 de mamíferos e 355 de aves. Também identificaram 653 espécies de árvores com flores e 125 de samambaias e avencas. De acordo com os cientistas, espécies novas foram encontradas em todos os territórios visitados, mas ainda falta classificá-las.

Uma delas é a do sapo Dendrobates tinctorius, cuja coloração pode despertar interesse no mercado de espécies ornamentais fora do Brasil, principalmente na Europa, Estados Unidos e Japão, segundo os pesquisadores.

Foto: MPEG/ Divulgação

Com forte coloração, o sapo Dendrobates tinctorius pode despertar interesse no mercado de espécies ornamentais fora do Brasil. (Foto: MPEG/ Divulgação)

Entre as espécies de aves encontradas, 70 são consideradas raras por só existirem na região, como a Tangara guttata (saíra pintada) e a Tangara varia (saíra carijó). Outras aves estão ameaçadas de extinção, segundo os cientistas, como a Aratinga pintoi, mais conhecida como cacaué.

Um terço dos mamíferos identificados também estão ameaçados de extinção, como é o caso da onça pintada, da onça parta, da ariranha e do tatu-canastra.

Entre as plantas, cinco espécies são consideradas ameaçadas no Pará: a muirapuama, o angelim, a araracanga, a maçaranduba e a itauba. 
Foto: MPEG/ Divulgação

Áreas de preservação na Calha Norte, no Pará, equivalem a quase 50% do tamanho do estado de São Paulo. (Foto: MPEG/ Divulgação)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Extinção de espécies de água doce atinge níveis alarmantes, dizem cientistas


Cientistas alertaram que a extinção de espécies de água doce atingiu níveis alarmantes, tornando os animais destes ecossistemas os mais ameaçados do mundo. Peixes, sapos, tartarugas e crocodilos que vivem em rios, lagoas e mangues estão desaparecendo em um ritmo entre 4 e 6 vezes mais acelerado que as espécies terrestres ou marinhas, segundo especialistas internacionais que se reúnem a partir desta terça-feira, na Cidade do Cabo, na África do Sul, para a Conferência do programa Diversitas sobre biodiversidade.


Crocodilo está entre as espécies ameaçadas


"Há evidências científicas claras e crescentes de que estamos à beira de enorme crise de biodiversidade em água doce. No entanto, poucos sabem do catastrófico declínio em biodiversidade em água doce tanto em escala local como global", disse Klement Tockner, do Instituto Leibniz de Berlim.

Segundo ele, as implicações disso para a humanidade são "imensas", porque a perda de biodiversidade afeta a purificação das águas, a regulação de doenças, e a agricultura e pesca de subsistência.

O problema teria sido causado pela poluição, pela construção de represas e sistemas de irrigação e pela crescente demanda por água fresca ao redor do mundo, além do aquecimento global.

Metas perdidas 
De acordo com os cientistas, as metas de redução da perda de biodiversidade para 2010, estabelecidas na Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica em 2003, não vão ser atingidas.

"Nós certamente não vamos atingir as metas de reduzir as taxas de perda de biodiversidade até 2010 e, como consequência, também não vamos atingir os objetivos ambientais até 2015 dentro das Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU para melhorar a saúde e as vidas das pessoas mais pobres e vulneráveis do mundo", disse Georgina Mace, do Imperial College London, vice-diretora do programa internacional Diversitas.

Mace diz que a biodiversidade é fundamental para que as pessoas tenham comida, combustível, água limpa e um "clima habitável", ainda assim as mudanças dos ecossistemas e a perda de biodiversidade têm crescido continuamente.

"Desde 1992, mesmo as estimativas mais conservadores concordam que uma área de floresta tropical maior que o Estado americano da Califórnia foi transformada em comida e combustível. As taxas de extinção de espécies são pelo menos 100 vezes maiores do que eram antes do surgimento dos humanos e elas devem continuar aumentando."
Para os especialistas reunidos na África do Sul, medidas para combater estes problemas precisam ser tomadas com urgência. Entre elas, eles sugerem a criação de um painel para monitorar as extinções similar ao IPCC, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas.


Leia mais no site da BBC

quarta-feira, 18 de março de 2009

Erosão genética ameaça espécies da Amazônia. Peixe-boi está na lista


A construção de estradas, barragens e pastos, dividindo a floresta em ilhas, está ameaçando de extinção espécies amazônicas. Isolados, animais e plantas de um mesmo grupo cruzam entre si, trazendo problemas genéticos. O aviso parte da pesquisadora Vera Almeida Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). 

Assim como ocorre com seres humanos, a reprodução entre parentes próximos pode causar doenças genéticas. Além disso, o cruzamento entre “primos” faz com que as espécies fiquem muito parecidas, perdendo a variedade. O perigo desse fenômeno, segundo Val, é que deixam de existir indivíduos fortes e fracos, altos e baixos etc. 

Como os animais e plantas ficam todos iguais, uma mínima alteração no ambiente pode matar todos eles, pois não haverá indivíduos mais resistentes. “A extinção é causada porque se chega a um grau de especialização tão grande que qualquer alteração mata”, diz a pesquisadora. 

Erosão genética

Entre os cientistas, o fenômeno é conhecido como erosão genética ou perda da variabilidade genética. Val explica que o problema ocorre principalmente com espécies que correm risco de extinção, quando há poucos indivíduos na natureza. Na Amazônia, um dos animais expostos a esse risco é o peixe-boi. Entre as plantas, o mogno é um dos candidatos a desaparecer. Ambas as espécies foram exploradas além do limite, e hoje têm uma população pequena.

Segundo a pesquisadora, quando a separação de espécies se faz por barreiras naturais, como o surgimento de montanhas ou a separação de continentes, ela pode ser positiva, pois com o tempo acabam surgindo espécies diferentes. “Mas no caso de populações naturais onde o homem está impondo barreiras, estamos provocando perdas da variabilidade genética”, explica.

 

As pesquisas de Vera Val serão apresentadas durante o encontro regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), que começa em 17 de março, em Tabatinga (AM).


Fonte: globo.com

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